Fundos de Crédito, Fundos na Arena

Gestora cresce com crédito estruturado e cria Fidc para pessoa física

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A demanda por opções de investimento em renda fixa aumentou a procura por operações estruturadas de crédito, como os fundos de investimento em direitos creditórios (Fidc). Segundo Leonardo Russo Calixto, sócio da Empírica Investimentos, apenas nos últimos 12 meses, oito gestoras de recursos procuraram a casa independente especializada em crédito estruturado em busca de aplicações.

Do começo do ano até julho, o patrimônio sob gestão a Empírica cresceu de R$ 400 milhões para R$ 600 milhões, e a expectativa é encerrar o ano com R$ 800 milhões, distribuídos em sete Fidcs, um multimercado que aplica em cotas de Fidc para pessoas físicas, um fundo no exterior e um fundo imobiliário que está em estruturação.

Empresas de menor porte

Ao mesmo tempo, cresce o número de empresas de médio porte que usam os Fidc para obter recursos para ampliar operações ou as vendas, antecipando os recebíveis, afirma Calixto. “São supermercados, redes de lojas e até estacionamentos do interior dos estados que nos procuram, pois não encontram espaço nos grandes bancos para montar operações de menor porte”, diz. As empresas colocam parte dos valores que têm a receber em Fidc e recebem antecipadamente a quantia, com um desconto, que será o ganho que o investidor no fundo terá quando os recebíveis forem pagos.

Em geral, os Fidc começam a partir de R$ 30 milhões. “Mas podemos começar com um valor menor e depois ampliar”, diz o gestor, citando um Fidc de crédito com garantias imobiliárias (home equity) que está sendo montado inicialmente com R$ 6 milhões.

Fidc de cartão de crédito

Um dos projetos mais recentes da Empírica é um Fidc de cartões de crédito, estrutura ainda inédita no mercado, para a empresa Sorocred. “Vai ser o primeiro Fidc de cartão do mercado”, afirma. O fundo foi  protocolado ontem na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e deve iniciar a captação nos próximos 40 dias.

O fato de ser uma casa especializada – os sócios eram da área de crédito estruturado do HSBC – ajuda a gestora a montar estratégias especiais para as empresas menores, explica Calixto. “Como temos especialistas nas áreas jurídica, de operações e de mercado e conhecemos os custodiantes e os administradores, conseguimos ver mais oportunidades e adaptar os modelos para tamanhos menores ou ativos diferentes”, diz.

Ele dá o exemplo do Fidc de cartão de crédito, que está sendo estruturado há um ano, e que exigiu a montagem de um sistema diferente de custódia e avaliação de risco, uma vez que os ativos são de curto prazo e de milhares de clientes. “É diferente de um Fidc de empresas que tem no máximo centenas de compradores para analisar”, diz. Para isso, foi preciso recorrer à ajuda de uma processadora de cartões para montar a parte operacional do fundo.

A experiência de cinco anos estruturando Fidcs também ajuda a dar mais credibilidade diante dos investidores, muitos deles institucionais. “Acompanhamos o fundo depois de montado pois o Fidc não é como um fundo de ações que tem um gestor que fica trocando os papéis, é um mecanismo que se move mais ou menos sozinho, com a renovação dos recebíveis, mas precisa de supervisão”, diz.

Fidc para pessoas físicas

Outra estrutura criada pela Empírica é um multimercado que aplica em Fidc e fundos imobiliários, aberto para aplicações de pessoas físicas qualificadas (com mais de R$ 300 mil para investir), o Lótus. Lançado há dez meses, a carteira é um multimercado que aplica em outros cinco Fidc e já tem um patrimônio de R$ 15 milhões. “Só aceitamos aplicar em fundos de terceiros se for em cotas sênior (que têm preferência a receber os valores pagos em caso de inadimplência de parte da carteira) ou se formos estruturadores ou gestores da carteira”, afirma Calixto.

Assim, a Empírica monitora as carteiras onde aplica e procura participar do comitê de crédito dos fundos “Usamos nossa experiência para acompanhar o desempenho e a qualidade das carteiras”, diz.

O Lotus tem aplicação mínima de R$ 25 mil e carência inicial de 90 dias e mais 90 para saque. Ou seja, após os primeiros 90 dias de aplicação, o investidor que pedir o resgate vai ter de esperar 90 dias para receber o dinheiro.

Carência para evitar enganos

A carência longa, além de permitir ao gestor organizar o resgate sem prejudicar os demais cotistas, é uma forma de evitar que quem não entende muito de crédito estruturado entre por engano na aplicação. “Nossa ideia é oferecer uma opção de diversificação para o varejo qualificado e também mostrar como funciona o mercado de crédito estruturado para essas pessoas”, diz. A sugestão é que o investidor tenha no máximo 20% de suas aplicações em carteiras de crédito estruturado como o Lótus, que acumula rendimento no ano em torno de 125% do CDI.

Calixto critica os grandes benefícios dados para as letras de crédito imobiliário (LCI) e do agronegócio (LCA), instrumentos de crédito privado que, além de isentos de imposto de renda, ainda têm garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) até R$ 250 mil. “Isso cria uma anomalia, o investidor não quer saber quem é o devedor, quem emite, e o distribuidor também não se importa em conhecer o produto e nem o que tem dentro antes de oferecer”, diz.

Para ele, esse modelo deseduca o investidor, que não se interessa em conhecer o funcionamento das aplicações e nem as alternativas de crédito que há no mercado. Nessa linha, a Empírica pretende criar um site destinado a explicar o funcionamento da securitização de crédito e dos Fidc.

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