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Aperto no crédito pode limitar crescimento de LCI e LCA no varejo, vê Anbima

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O cenário ainda conturbado neste ano e os juros elevados tendem a manter os investidores de varejo em aplicações mais conservadoras e de menor risco, como os fundos DI, CDB e aplicações isentas como Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA), diz Marcos Daré, presidente do Comitê de Varejo da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Já os investimentos com renda variável, como fundos de ações e multimercados devem ter procura menor. “A volatilidade tanto em bolsas quanto em outros mercados tem reflexo nesses fundos, e o público de varejo tem menor condição de assimilar essas oscilações”, diz. Por isso, os bancos e gestoras tendem a desenvolver aplicações com valor de aplicação mais baixo, compatível com o perfil do varejo, e com proteção de princial. “A predileção do cliente é por aplicações conservadoras”, resume Daré.

Falta de lastro

Ele acredita que o crescimento das aplicações em LCI e LCA, por conta da isenção de imposto de renda para pessoas físicas, deve ser limitado no varejo pela necessidade de as instituições destinarem os recursos para empréstimos imobiliários e agrícolas, o que pode ser mais difícil em um ambiente de economia mais fraca. “O papel isento é ligado ao lastro de crédito e, por isso, nem sempre investidor de varejo terá acesso aos produtos isentos”, explica. “Isso depende da capacidade de cada instituição de gerar lastro”, afirma.

Ao mesmo tempo, há a discussão de mudanças na isenção desses papéis, para evitar que eles roubem investidores de outras aplicações, especialmente os fundos. A tributação é defendida pela Anbima e outros representantes do mercado e já chegou a ser admitida pela nova equipe econômica do ministro Joaquim Levy. “Mas ainda aguardamos medidas dos reguladores”, diz Daré.

Novos fundos populares

O mercado de varejo terá também este ano a novidade dos fundos de baixo custo e menor risco para o varejo criados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) dentro da reformulação da Instrução 409, lembra Rodrigo Ayub, coordenador do subcomitê de base de dados da Anbima. A instrução 554, que regulamenta os fundos de investimento, entrará em vigor em julho e deve simplificar muitos procedimentos e a estrutura das carteiras, lembra Ayub. “Esperamos que, a partir de julho, novos produtos, mais simples venham desonerar um pouco o mercado de varejo reduzindo a burocracia”, diz o executivo. Entre as facilidades está a dispensa do  termo de adesão ao fundo e o uso de mais canais eletrônicos para informar os cotistas e oferecer carteiras.

Sobre o crescimento de 14,8% das aplicações de varejo no ano passado, Daré diz que parte desse aumento reflete a entrada de seis novas instituições na amostra, como Banese, Banestes, Basa e Banrisul. Com isso, o levantamento passou a contar com 15 bancos e abrange 98% do patrimônio do mercado e 97% das agências bancárias de todo o país, o que dá mais segurança na avaliação das informações.

Além disso, passaram a fazer parte dos dados ações em corretoras, Tesouro Direto, Fundos de Investimento em Participações e fundos com cotas negociadas em bolsa, os ETF. Com a inclusão desses bancos e desses ativos, houve um aumento das aplicações de varejo de R$ 61 bilhões e 1 milhão de clientes em 2014.

Daré destaca ainda que o crescimento das aplicações de varejo no ano passado superou o da poupança, de 10,8%. Ele informou ainda que, a partir do ano que vem, o levantamento de varejo da Anbima vai incluir os dados de poupança, para que seja cruzados com os de outras aplicações. “Os dados de poupança são representativos para esse tipo de público”, acrescenta Rodrigo Ayub.

Mais conservadores

Daré destacou que o comportamento do investidor de varejo no ano passado foi bastante influenciado pela volatilidade dos mercados, o que levou a uma procura maior por aplicações mais conservadoras, como os fundos DI, ou sem risco de principal, como os investimentos de tesouraria como LCI, LCA e compromissadas. Isso contribuiu para a redução das aplicações em fundos de ações e multimercados.

O fato de o segmento de varejo ter crescido mais que o de alta renda, 17,1% e 13,5%, respectivamente, refletiria a melhora de renda da população no ano passado. “Além disso, algumas instituições financeiras aprimoraram sua oferta de investimentos para esse público”, diz. O juro mais alto e valores menores de aplicações devem ter ajudado nesse crescimento da baixa renda, diz Rodrigo Ayub.

O perfil dos investidores, que já é conservador, se acentuou ainda mais no ano passado, diz Daré. Um indicador desse movimento foi o crescimento das aplicações em fundos DI, que concentra 37% dos clientes de varejo, ante 35,3% em 2013.

LCI e LCA em alta

Mas chama a atenção o crescimento das aplicações isentas, que continuam atraindo investidores e reduzindo a fatia de mercado de outros produtos. As LCI passaram de 18,7% dos investimentos do varejo em 2013 para 28,2% e as LCA,  de 13,4% para 14,3%. “Se somarmos as duas, teremos 32% em 2013 e 42,5% para 2014, acompanhado de uma diminuição no CDB, de 45% para 33,6% do total”, afirma Rodrigo Ayub. Uma parte desse crescimento de LCI e LCA, porém, também pode ter vindo das cadernetas de poupança.

Em número de clientes, as LCI passaram de 7,1% do total de investidores para 13,9%, e as LCA, de 5,7% para 7%. Somados, os dois papéis reuniram 12,8% dos investidores em 2013 e 20,9% em 2014.

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