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Advent capta US$ 2,1 bi para investir em private equity na América Latina

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A Advent Internacional, uma das maiores gestoras de private equity e venture capital do mundo, anunciou hoje que fechou a captação de um fundo de US$ 2,1 bilhões para investimento em empresas fechadas na América Latina. Segundo Mario Malta Neto, diretor-gerente da Advent do Brasil, este será o maior fundo destinado à região e deve ter como prioridade Brasil, México e Colômbia.

Os setores que devem receber investimentos são varejo, serviços (incluindo educação) e serviços financeiros, telecomunicações, tecnologia e mídia (TMT), saúde e infraestrutura. “Saúde é uma das possibilidades, até pelo investimento muito bom que fizemos em Kroton, e conhecemos bem a área”, lembra Malta, que anunciou a operação durante a apresentação do estudo “Uma
visão geral do ecossistema de private equity e venture capital no Brasil 2010-2012” organizado pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e pelo escritório Pinheiro Neto Advogados.

A Advent tem US$ 6 bilhões investidos na América Latina, sendo cerca de US$ 3 bilhões no Brasil. O novo fundo é o sexto criado para a região. O anterior era de US$ 1,650 bilhões e ainda tem recursos para investir. “Houve um aumento no interesse pelo investimento na região”, diz o executivo, lembrando que o processo de captação do novo fundo levou seis meses e teve 60 investidores. A metade é da América do Norte, 25% são da Europa e os outros 25% se distribuem entre Ásia, América Latina e Oriente Médio. Um terço dos investidores são fundos de pensão dessas regiões.

Mercado de capitais difícil

Malta diz que o ano que vem deve ser difícil para a economia e para a bolsa de valores brasileira, mas isso não deve atrapalhar os desinvestimentos dos private equities. Segundo ele, mesmo que a bolsa tenha mais um ano ruim em 2015, as empresas de private equity devem conseguir vender suas empresas para outras maiores, locais ou estrangeiras. “Das 46 empresas que investimos na América Latina nos últimos anos, vendemos 33, das quais apenas 8 na bolsa”, afirma, para demonstrar que o mercado de abertura de capital em bolsa não é a única forma que os private equities têm de sair de seus investimentos.

Das 8 empresas vendidas em bolsa, 6 foram no Brasil e 2, no México. “A maior parte costuma mesmo ser vendida para outras empresas, e eu não vejo um desaquecimento do mercado de fusões e aquisições em 2015 no Brasil”, afirma. “Até o contrário, podemos ter uma queda nos preços que aumente os negócios”.

Como evitar turbulências

Ele afirma que a Advent já passou por outros períodos turbulentos desde 2001, quando chegou ao Brasil, por isso não se preocupa com as expectativas ruins para 2015. “O segredo para se sair bem nesse ambiente é não fazer investimentos com base no cenário macro, mas no microeconômico, em empresas que tenham pouca influência do comportamento o PIB”, diz.

Outra preocupação é procurar melhorar a parte operacional das empresas. “Trazemos equipes de gestão forte e buscamos parcerias para a empresa crescer”, diz. Com isso, a maior parte dos ganhos da Advent, 82%, vem da ampliação da geração de caixa das companhias em que investe. “Além disso, como atuamos em toda a América Latina, podemos deslocar os investimentos de um país que não esteja tão promissor para outro com mais potencial na região”, diz.

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