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Relação com investidores não é vista como área estratégica, mostra pesquisa

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Uma pesquisa feita pela consultoria Deloitte em parceria com o Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI) mostra que a maior parte das empresas brasileiras de capital aberto não considera a área de Relações com Investidores (RI) parte de sua estratégia de negócios.

O estudo, que contou com a participação de 104 companhias listadas na bolsa brasileira, mostra que apenas 29% dos respondentes veem a atuação do profissional de RI como estratégica. A maioria, ou 46% dos participantes, afirma que a área está mais ligada à comunicação, apresentando informações financeiras ao mercado e cumprindo as exigências dos reguladores.

Segundo o responsável pela pesquisa e sócio da Deloitte, Bruce Mescher, a ideia de que a área de RI precisa assumir um papel mais estratégico dentro das empresas já é discutida há algum tempo no mercado brasileiro e agora há uma “forte tendência de que isso comece a acontecer”.

Prova dessa tendência é que a percepção dos entrevistados sobre a criação de valor que a área de RI proporciona às empresas é grande. O estudo da Deloitte mostra que 70% dos investidores institucionais acreditam que o RI tem impacto significativo no valor da empresa.

Além disso, entre os investidores participantes da pesquisa alguns afirmaram que aceitariam pagar um prêmio de 10% a mais no preço de um título emitido por uma empresa com uma área de RI bem estruturada e atuante. Contudo, pagariam 20% a menos no valor do mesmo papel caso a empresa não tivesse uma área de RI, ou se essa área fosse ineficiente.

Visão do regulador

Segundo o presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Leonardo Gomes Pereira, que foi diretor de RI da Globopar, a relação entre a área e o planejamento estratégico dentro das empresas “é fundamental”. “O profissional de RI tem que conhecer bem os investidores, equilibrar as informações que circulam entre os diversos tipos de acionistas, com atenção especial aos minoritários.”

Outros resultados

A pesquisa da Deloitte foi apresentada hoje, durante o 16º Encontro Nacional de Relações com Investidores e Mercado de Capitais, organizado pelo IBRI em conjunto com a Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca). Segundo o estudo, 38% das empresas afirmaram que a área de RI é tão crucial que deveria existir plenamente inclusive em empresas de capital fechado.

Além disso, 94% dos entrevistados disseram ter a percepção de que, em suas companhias, a interação entre a área de RI e a presidência é boa. As empresas que consideraram o papel do RI como parte da estratégia corporativa mostraram também uma maior frequência nas interações entre a área e a cúpula da companhia.

 

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