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Presidente do Santander diz que não houve conversa sobre venda do banco

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O presidente do Santander no Brasil, Marcial Portela, disse hoje, durante entrevista coletiva para comentar os resultados do primeiro trimestre, que não houve conversas para vender a unidade brasileira. “Tenho contato direto com o conselho de administração do banco na Espanha, com o controlador, qualquer conversa desse tipo teria passado por mim, e garanto que não houve conversa alguma relativa à venda do banco no Brasil”, disse.  “Houve, sim, conversas relativas a compras de instituições no Brasil.”

Segundo Portela, que está deixando a presidência da unidade brasileira nos próximos meses, “não existiu gestão alguma para venda do Santander no Brasil para outra instituição nacional ou estrangeira”.  Ele acrescentou que, mesmo que alguém tentasse uma operação de fusão envolvendo os três grandes bancos brasileiros  privados “o nível de concentração no  mercado seria muito grande e o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) não permitiria”, observou.

A importância estratégica do banco para o Santander também é outro argumento contra a venda. “Basta olhar a contribuição do lucro do Brasil para o grupo para ver que não faz sentido, a operação brasileira representa 26% do lucro mundial do Santander, para 25% do resto da América Latina, 25% da Europa, 12% do Reino Unido e 12% geral”, disse Portela. “Hoje somos um grupo mais americano, com quase dois terços do lucro vindo das Américas, do que europeu”, observou. “Por isso, essas especulações não têm fundamento objetivo.”

Desde o ano passado, boatos sobre a venda do banco espanhol para o Bradesco iam e vinham no mercado, sempre desmentidos pelas duas instituições.

Portela admitiu que houve conversas para compra de bancos menores. “Tivemos uma tentativa de integração com uma instituição com problemas, mas se tivéssemos avançado, não seria integração, seria compra”, afirmou.

O banco também teve uma oportunidade no ramo de seguros, mas optou por não ter uma seguradora própria. “Fizemos uma associação com a Zurick pois entendemos que é melhor ter um parceiro especializado do que tocar um negócio de seguros”, disse. Ele evitou comentar se o banco está participando da disputa pelo controle da Credicard, empresa de cartões do Citibank, junto com outras instituições.

Problemas pessoais

Sobre sua saída da presidência do Santander Brasil, Portela explicou que ela foi motivada por problemas pessoais, já que sua família continua morando na Espanha. Como presidente do conselho do grupo, ele poderá vir ao Brasil uma vez por mês e ficar mais próximo da mulher, das filhas e dos netos. “Esse movimento já foi desenhado muito tempo atrás, o acionista controlador achou que seria importante minha presença para finalizar a fusão dos dois bancos, mas definimos um prazo para eu ficar”, disse. “Em novembro, com a união já concluída e as estruturas preparadas para um crescimento forte, eu iniciei o processo de saída”, disse.

O novo presidente do banco,   Jesús Zabalza, deve assumir em meados do ano. Ele trabalhava com Portela antes da compra do Real levar o Brasil a ser destacado da Divisão América Latina. Portela ficou com a unidade brasileira e Zabalza continuou com a Divisão, que inclui operações na Argentina, Chile, México, Peru, Porto Rico e Uruguai.

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