Arena dos Minoritários, Arenas das Empresas

Nelson Tanure tenta obter controle da Oi e expulsar portugueses

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O empresário Nelson Tanure, dono do Grupo Docas no Rio de Janeiro e conhecido por comprar empresas quebradas ou à beira da falência, entrou na disputa pelo controle da Oi, que está em recuperação judicial. Tanure já participou do setor de telecomunicações por meio da Intelig, que comprou e depois negociou a empresa com a italiana TIM.

A estratégia de Tanure agora é reunir um grupo de minoritários da Oi para substituir os atuais conselheiros da Pharol, que reúne os antigos sócios da Portugal Telecom, e com isso assumir o controle da empresa e telefonia. Para isso, pediu a convocação de uma assembleia geral extraordinária para votar a substituição dos conselheiros por nomes indicados pelo empresário. Entre os nomes indicados para comandar a Oi está o do jornalista e ex-ministro das Comunicações Hélio Costa, que hoje comanda a HRT, empresa de petróleo que também enfrentou dificuldades e passou a ser controlada por Tanure por meio de um acordo de acionistas.

A participação de Tanure na Oi se dá por meio do Societé Mondiale Fundo de Investimento em Ações, que é representado pela gestora Bridge Administradora de Recursos. O empresário faz parte do comitê de investimentos do fundo, que tem 6,64% do capital social da operadora e, portanto, mais que os 5% necessários para pedir a assembleia. Mas, para conseguir substituir os conselheiros da Pharol, Tanure terá de reunir a maioria dos investidores para aprovar as mudanças. A direção da Oi tem oito dias, a contar do pedido, feito no dia 7 de julho, para convocar a assembleia.

O objetivo do grupo de acionistas liderado por Tanure é mudar o conselho de administração para alterar a governança corporativa da empresa. E justificam a substituição dos conselheiros pelos problemas que ocorreram durante a fusão da Portugal Telecom com a Oi, e que previa um aporte de R$ 5 bilhões em ativos da empresa portuguesa. Para o grupo de Tanure, além de terem sido dados ativos superavaliados na operação, foi descoberto depois o empréstimo de € 897 milhões feito pela Portugal Telecom para o controlador do grupo português, o Banco Espírito Santo, que depois veio a quebrar.

A disputa pelo controle da Oi acontece no momento em que a empresa tem de renegociar uma das maiores dívidas da história das recuperações judiciais brasileiras, de R$ 65 bilhões. Tanure é conhecido por ser duro nesses processos e em disputas judiciais, que são sua especialidade. Em 2000, fez o Bradesco pagar mais de R$ 100 milhões para que ele encerrasse uma ação contra o Banco Boavista para permitir o fechamento da compra do banco carioca. O Boavista era controlado pela Docas, que havia sido comprada por Tanure em 1998.

Tanure começou a crescer durante o governo de Fernando Collor de Mello e da ministra da Fazenda Zelia Cardoso de Mello, com uma empresa chamada Sade, no começo dos anos 1990. Com a ajuda de recursos de fundos de pensão, o empresário se tornou, em 1994, dono da maioria dos estaleiros do país, liderados pelo Verolme, que ele vendeu em 1997. Também no governo Collor, comprou a Vigesa, fabricante de turbinas e geradores de energia, que vendeu também em 1997, em meio ao forte endividamento do grupo.

Em seguida, comprou a Docas, que controlava o Boavista, e que se tornou seu veículo de aquisições com os recursos obtidos do Bradesco. Em 2001, comprou o Jornal do Brasil, com dívidas de mais de R$ 750 milhões e, em 2003, assumiu o controle por arrendamento da Gazeta Mercantil, com dívidas trabalhistas de mais de R$ 60 milhões. Em 2005, tentou ainda comprar o controle da Varig, mediante um acordo com os curadores da Fundação Ruben Berta.

Em 2009, Tanure devolveu a Gazeta ao controlador, Luiz Fernando Levy, e desde então o jornal parou de circular e vive uma batalha jurídica entre os funcionários, o empresário e o antigo controlador. No mesmo ano, o empresário negociou a fusão da Intelig com a TIM, tornando-se sócio da empresa. Foi em 2009 também que o Jornal do Brasil, com dívidas de R$ 100 milhões, parou de circular sua versão impressa, mantendo apenas a digital.

Em dezembro de 2013, Tanure comprou uma participação de 19,2% na empresa de petróleo HRT e a partir de março de 2014, o empresário passou a comandar a empresa por meio de Hélio Costa. Em janeiro do ano passado, a HRT passou a se chamar PetroRio. Tanure também é sócio da GPC Participações, que no passado foi um dos maiores conglomerados petroquímicos do país. Sua estratégia na GPC foi a mesma da Oi, coordenar um grupo de minoritários insatisfeitos com o comando da companhia para mudar a gestão e reestruturar a empresa.

 

 

 

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