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MCM: governo Temer morreu e quanto mais rápido o presidente sair, melhor

Brasília - O presidente Michel Temer lança o Cartão Reforma, em cerimônia no Palácio do Planalto (Valter Campanato/Agência Brasil)

O governo do presidente Michel Temer morreu. Essa é a avaliação da MCM Consultores, que acrescenta que resta saber como ele será sepultado. Temer somente sobreviverá se a gravação, ainda não divulgada, feita pelo empresário Joesley Batista, dono da JBS, na qual o presidente concorda com o pagamento de uma mesada para o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, preso em Curitiba, for pífia, avalia a consultoria. Porém, dificilmente a gravidade do conteúdo da conversa entre Temer e Joesley Batista ficará aquém do que foi noticiado, acredita a MCM.

Segundo a MCM, a delação da Odebrecht não foi capaz de paralisar o governo e o Congresso, mas o da JBS será. A paralisia perdurará enquanto Temer permanecer na Presidência.

Do ponto de vista da economia e da restauração da normalidade do país, quanto mais rápido Temer cair, melhor., avalia a consultoria. “Sendo assim, renúncia seria opção mais adequada para dar partida ao processo de restauração da governabilidade. Enquanto Temer resistir a crise escalará, nos mercados e nas ruas. Coxinhas e petralhas, cada um no seu quadrado, se unirão para pedir a cabeça de Temer”, diz o relatório da MCM.

Se Temer resistir, a alternativa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se imporá, pois o cenário mudou. Antes, o TSE, assumindo o papel de guardião da normalidade institucional, manteria Temer para não provocar nova crise política. “Agora, talvez tenha de cassá-lo para evitar o aprofundamento da crise”, avalia a consultoria.

O impeachment é a saída mais custosa, porque é demorada e porque, se o processo chegar a esse ponto, significa que Temer levou adiante a disposição de se defender politicamente. “E, como afirmamos acima, enquanto Temer permanecer, a crise não se dissipará.”

Nesse cenário de impeachment, as reformas param, acredita a MCM, que acha bastante incerto que elas possam ser  retomadas mais adiante. Pode acontecer, mas somente após a saída de Temer, a depender de quando e como a sucessão transcorrer.

A consultoria lembra ainda que a Constituição determina eleição indireta até 30 dias após a vacância do cargo. Antes disso, Congresso tem que votar a toque de caixa a regulamentação da eleição indireta. Haverá muita pressão da opinião pública e mesmo no Congresso para que eleição seja direta. Essa alternativa é menos provável, mas não pode ser descartada, acredita a MCM.

A consultoria considera muito difícil vislumbrar quem assumirá a Presidência, escolhido pelo Congresso ou pelo povo. No primeiro caso, será alguém pró establishment, de perfil mais conservador e habituée das rodas de poder em Brasília. No segundo, a conjuntura favorece nomes novos, de perfil outsider.

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