Análises, Arenas das Empresas

Itaú BBA muda recomendação de Brasil de vender para comprar em relatório de América Latina

fundos_acoes_bolsa_investimentos_contas_dividas

O cenário externo ainda desafiador aliado à volatilidade decorrente da política em países-chave exigirá maior flexibilidade dos investidores com aplicações em ações na América Latina, porém com boas oportunidades em diversos setores. E o Brasil volta a ser destaque nas recomendações de ações. A análise faz parte do Itaú BBA LatAm Big Book 2017, que traz as perspectivas e as tendências mais importantes para investimentos na América Latina. O relatório inclui a cobertura de 70% das empresas presentes no MSCI LatAm e de 90% no Ibovespa, excluindo Itaú Unibanco.

Flexibilidade será a palavra de ordem para os investidores em 2017, porque, assim como no ano passado em que houve importantes alterações nos perfis de risco dos países, o ambiente político-econômico demandará diversos ajustes nas carteiras de ações ao longo dos meses, afirma Gregorio Tomassi, estrategista para América Latina do Itaú BBA.

Sugestão de leitura Empiricus: Como investir na bolsa

Do lado econômico, a expectativa é por recuperação na América Latina em 2017, com certo protagonismo de Brasil e Argentina. “As economias serão beneficiadas por reformas fiscais, flexibilização da taxa de juros e recuperação das commodities, enquanto que o aumento do juro americano promoverá nova rodada de desvalorização nas moedas latinas”, analisa Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú Unibanco.

Por isso, a recomendação é favorável à aplicação em ativos do Brasil e de certa exposição à Argentina, apesar de o país estar fora do índice MSCI. Já as recomendações foram reduzidas para Chile, México e Colômbia para “underweight”, ou abaixo da média do mercado.

Peru e Panamá também recebem sugestão de alocação “overweight” (acima da média do mercado), considerando a visão positiva em dois ativos específicos: Credicorp e Copa Airlines, respectivamente.

No ano passado, eram “overweight” os mercados do México e Chile, e “underweight”, Brasil, Colômbia e Peru.

Sobre Brasil, o analista Lucas Tambellini vê um primeiro semestre mais fraco com possível recuperação no segundo, que atrairia fluxo de recursos para a bolsa. O banco trabalha com a aprovação da reforma da Previdência e corte agressivo nos juros. O banco estima que o mercado hoje esteja sendo negociado com um preço equivalente a 12,2 vezes o lucro das empresas (P/L, relação que dá uma ideia do prazo de retorno do investimento e portanto, quanto menor, melhor), 0,9% acima da média histórica. Esse número pode cair caso o cenário político e econômico traçado pelo Itaú se materialize. O banco estima que o Índice Bovespa teria um potencial de alta de mais 20% neste anos.

O portfólio sugerido para Brasil continua defensivo, com preferência por companhias com forte geração de caixa e sólido histórico de equilíbrio entre risco e retorno, como nos setores de Consumo, Telecom e Prestadoras de Serviços Públicos (Utilities, como empresas de água e energia). Para capturar a melhora dos fundamentos econômicos são sugeridos segmentos como Financeiro, Industrial, Commodities e Energia. Os papéis sugeridos pelo banco incluem Ambev ON, Telefônica/Vivo PN, Sabesp ON, Energias do Brasil ON como nomes mais defensivos. Para aproveitar uma recuperação do mercado, o banco sugere Bradesco PN, CCR ON, Petrobras PN e Vale PNA. Já a queda dos juros deve favorecer Banco do Brasil ON, BR Malls ON, Cyrella ON, Smilles ON e Localiza ON.

Na Argentina, há preferência por nomes nos setores de Energia, Telecom, Financeiro e Agronegócio. A recomendação de portfólio mexicano engloba os setores de Consumo, Financeiro, Industrial e Utilities, enquanto no Chile e na Colômbia os ativos favoritos são do setor Financeiro.

O LatAm Big Book 2017 abrange um total de 179 companhias abertas da América Latina, sendo 108 empresas do Brasil, 35 do México, 16 do Chile, 9 da Colômbia, seis da Argentina, quatro do Peru e uma do Panamá.

 

Artigo AnteriorPróximo Artigo