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Trump promete “fogo e fúria” contra a Coreia do Norte e derruba bolsas pelo mundo

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Declarações de ontem do presidente americano Donald Trump ameaçando a Coreia do Norte aumentaram a tensão geopolítica e mexem com os mercados hoje. As bolsas estão sendo pressionadas para baixo, o dólar, visto com proteção, está mais forte diante de outras moedas e há maior aversão a risco, avalia a Guide Corretora. Trump respondeu às ameaças norte-coreanas de maneira violenta e até dramática, afirmando que “Eles terão fogo e fúria”, e “algo que o mundo nunca viu antes”, se as ameaças continuarem. Hoje, jornais americanos informam que a Coreia do Norte já teria uma ogiva nuclear capaz de ser acoplada aos foguetes intercontinentais que o país vem testando, aumentando a pressão sobre o governo dos EUA.

Ibovespa em baixa com o resto do mundo

O resultado é queda nos mercados de risco. No Brasil, o Índice Bovespa abriu em baixa de 0,6%, aos 67.480 pontos. As bolsas da Ásia caíram, com o Índice Nikkei recuando 1,29%, o Hang Seng, de Hong Kong, 0,35% e o da Bolsa de Xangai, 0,03%. Na Europa, os mercados estão em baixa, com o Euro Stoxx 50 perdendo 1,76%, o Financial Times, 0,84%, o DAX, de Frankfurt, 1,49%, e o CAC, de Paris, 1,82%. “Tudo vermelho”, resume a Guide. “Nos mercados, portanto, vemos movimentos de realização de lucros, desencadeados por declarações imprevistas, e desdobramentos difíceis de ‘colocar na conta'”, diz a corretora.  Ontem, bolsas de NY também fecharam o pregão no vermelho.

VIX, o Índice do Medo, em alta

A Guide cita o índice americano VIX, ou “índice do medo”, que mede a volatilidade das opções do índice Standard & Poor’s 500. “Temos que a volatilidade dos mercados sobe mais de 10% deste o início do dia de hoje, o que dá uma ideia do impacto da geopolítica”, avalia a corretora. “É o que domina o noticiário.”

Como efeito da busca por proteção, ouro e a prata sobem, enquanto os juros dos títulos americanos são pressionados para baixo pela forte demanda pelos papéis. O ouro está em alta de 1% em Nova York, enquanto os juros dos títulos do Tesouro americano de 10 anos caem de 2,26% ontem para 2,22% ao ano hoje.

A expectativa é que o cenário se repita aqui no Brasil, com bolsas em baixa e dólar e juros em alta, apesar do IPCA abaixo do piso da meta. O dólar comercial já sobe 0,35%, para R$ 3,142 para venda. O exterior, menos favorável, pode levar a um dia menos positivo por aqui, avalia Ignácio Crespo, economista da Guide. “Assim, há viés de alta em dólar e juros futuros, e de baixa em bolsa”, prevê. “Hoje é dia de diminuir a exposição a risco e, aqui, a dificuldade fiscal ganha espaço no noticiário”, afirma. As dificuldades resultam em propostas de aumentar impostos sobre renda e sobre aplicações financeiras.

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