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Bolsa de Chicago vende participação na BM&FBovespa, que compra fatia na Bolsa de Lima

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A BM&FBovespa informou hoje que o CME Group, dono da Bolsa de Chicago, comunicou que vendeu todas as ações que tinha da bolsa brasileira. A venda ocorreu na terça-feira passada, quando o mercado registrou um grande volume de vendas de ações da BM&FBovespa pela corretora Merrill Lynch. A bolsa americana detinha 2,4% do capital da BM&FBovespa, depois da venda de 1,6% em outubro do ano passado. Foi uma reação à venda, em abril do ano passado, da participação da bolsa brasileira na CME. A parceria entre as bolsas teve início em 2007, com cada uma participando com 1,8% no capital da outra, percentual que foi elevado para 5% em 2010, quando da fusão entre a BM&F e a Bovespa, o que garantia uma vaga no conselho de administração e parcerias estratégicas de tecnologia entre as bolsas.

Em setembro de 2015, a BM&FBovespa vendeu 1% da participação na CME e, em abril do ano passado, os 4% restantes, para levantar caixa para comprar a potencial concorrente Cetip, de títulos privados. Na ocasião, o presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, deixou o conselho da CME.

Na sexta-feira, 20 de janeiro, o representante do CME Group no Conselho de Administração da BM&FBovespa, Charles Carey, havia apresentado sua renúncia. Segundo a bolsa brasileira, os acordos com o CME Group permanecerão em vigor e as empresas buscarão continuar a cooperar estrategicamente em desenvolvimento de produtos, tecnologia e outras áreas de interesse mútuo para ambas as empresas.

Compra no Peru

A BM&FBovespa anunciou também que adquiriu uma participação de 8,59% na Bolsa de Valores de Lima (BVL), tornando-se a maior acionista da bolsa peruana. Pela regulação local, nenhum investidor pode alcançar individualmente uma participação superior a 10% na BVL. Para comprar essa fatia, a BM&FBovespa investiu R$ 49 milhões na BVL, que administra atualmente os mercados de ações (locais e estrangeiras), ETFs, renda fixa pública e privada, bem como vem investindo em empresas com negócios estrategicamente complementares, como compensação, liquidação e tecnologia.

Esse é o quarto investimento da companhia em plataformas latino-americanas desde o ano de 2014, quanto iniciou a estratégia de fazer aquisições nos países vizinhos. Além da BVL, a BM&FBovespa também tem participação na Bolsa de Comercio de Santiago (10,4%), na Bolsa de Valores da Colômbia (9,9%) e na Bolsa Mexicana de Valores (4,1%). Para a corretora Coinvalores, embora veja como positivas essas iniciativas, o reflexo dessas participações nos resultados financeiros da companhia ainda tem sido bastante tímido. “Dessa forma, não esperamos grande movimentação nas ações por causa desse evento.”

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