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Melhora da atividade beneficia ações do setor de varejo, avalia BB Investimentos

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O setor varejista deve beneficiar-se de melhorias no ambiente macroeconômico nos próximos meses. Na avaliação da equipe do BB Investimentos, entre os fatores positivos sinalizados em julho estão a reforma trabalhista, alcançada após dois meses de turbulência no cenário político; expectativas positivas em relação à diminuição da taxa básica de juros (Selic) em um ponto porcentual, para 9,25% ao ano; inflação em queda; diminuição da taxa de desemprego no segundo trimestre (para 13%); ligeira melhora nos empréstimos para pessoa física, como mostra o crescimento de 2,4% nos créditos não-direcionados para esse tipo de público em junho em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo dados do Banco Central (BC).
Os analistas também consideram positivas as expectativas com os resultados do segundo trimestre de várias empresas do setor varejista. “Até agora, muitos desses resultados eram fortes, enquanto outros vinham em ponto morto, mas sem destaques negativos. O cenário geral melhor, aliado a fatores intrínsecos, impacta a cotação de ações das empresas durante o mês”, diz o relatório do banco.

Dados positivos em maio

Pesquisa Mensal de Varejo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que o varejo brasileiro registrou, em maio, o segundo aumento consecutivo, de 2,4% (em volume de vendas) sobre o ano anterior, puxado pelo Dia das Mães. Em relação ao mês anterior, houve recuo, de 0,1%. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revisou, na primeira quinzena de julho, de 1,2% para 1,6% a sua projeção de crescimento nas vendas do varejo em 2017.

Atividade deve seguir melhorando

Para agosto, o BB Investimentos espera uma recuperação contínua (embora ainda lenta) na atividade geral de varejo, levando em conta fatores já citados e outros, como a comemoração do Dia dos Pais no Brasil. “No topo de nossas escolhas na carteira para o mês de agosto, incluímos três empresas que foram negociadas abaixo de seus múltiplos históricos e devem beneficiar-se deste cenário: Natura ON, Lojas Americanas PN e Lojas Marisa ON”, destaca relatório do banco, assinado por Maria Paula Cantusio.

A BB Investimentos destacou três empresas em seu relatório:

Lojas Marisa: recomendação de inclusão na carteira (10%). A inclusão em carteira da Lojas Marisa é indicada pelo BB Investimentos em função de perspectivas positivas com a divulgação de seus resultados referentes ao segundo trimestre deste ano, agendada para a segunda semana de agosto. “Após consecutivas performances ruins de vendas e margens de rentabilidade, a companhia deve atingir um ponto de inflexão no resultado do 2T17, ao nosso ver, refletindo todo o trabalho interno que tem sido feito visando a melhorias de gestão e eficiência.” O banco não informou o preço-alvo da ação.

Natura ON: manutenção (10%). A expectativa dos analistas é a continuidade de uma reação positiva do mercado à divulgação de seu resultado referente ao 2T17, ocorrida no mês de julho. O papel desvalorizou-se substancialmente nos últimos dois meses, após a divulgação da compra da The Body Shop. Paralelamente, o banco observa que, nos últimos meses, a ação já vinha sendo negociada a múltiplos bem abaixo de sua média histórica. Tanto em termos de preço em relação ao lucro (P/L) quanto pela relação Valor da Empresa (EV, que reflete o patrimônio da companhias mais sua dívida) sobre Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (Ebitda ou Lajida, que é a um indicador da geração de caixa livre da empresa). O preço-alvo para o papel é de R$ 36,00.

Lojas Americanas: inclusão (10%). O BB Investimentos indica a inclusão da Lojas Americanas por conta da resistência de seu modelo de negócios, focado em produtos de baixo ticket médio, além das perspectivas positivas para seus resultados referentes ao segundo trimestre de 2017. Adicionalmente, a recente aceleração da queda de juros deverá trazer uma menor pressão sobre o resultado financeiro da empresa nos próximos trimestres, beneficiando seu lucro líquido. O preço-alvo para o papel é de R$ 21,50.

Além desses papéis, o BB Investimentos tem recomendação de compra no setor de varejo para B2W, com preço-alvo de R$ 17,50, Pão de Açúcar, R$ 77,00 e Via Varejo, R$ 14,00.

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