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As ações que vão ganhar com a queda dos juros, segundo o Itaú

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A redução dos juros básicos da economia vai ajudar o mercado acionário em geral, ao tornar menor a atratividade da renda fixa e baixar o custo de oportunidade de quem quer tomar mais risco. Além disso, juros mais baixos ajudam todas as empresas. Mas há algumas que serão mais beneficiadas por esse cenário. A Itaú BBA Corretora fez um estudo com setores considerados pelos investidores mais próximos da renda fixa, como Concessões de Rodovias, Energia Elétrica e Saneamento, Telecomunicações e Shopping Center, para identificar os maiores beneficiários dessa queda dos juros. O estudo mostra seis possíveis ações vencedoras.

Rumo aos 8,5% ao ano

O cenário que a corretora trabalha inclui, no curto prazo, expectativas de inflação baixa e elevados níveis de capacidade ociosa na economia que permitiriam ao Banco Central (BC) iniciar um “robusto ciclo de alívio monetário”, ou seja, baixar bem os juros.

No médio prazo, uma contínua tendência de baixa na inflação e o alto do desemprego nos próximos anos são consistentes com cortes adicionais nos juros. O Itaú tem a expectativa de que a taxa Selic, hoje de 13%, cai para 9,75% no fim deste ano e para 8,5% no fim de 2018. Mas, para que esse cenário se materialize, o banco diz que as expectativas de inflação têm de continuar controladas e será preciso aprovar a reforma da Previdência no Congresso.

Quase renda fixa

Em um ambiente de juros de um dígito, o Itaú acredita que os investidores devem procurar instrumentos de renda fixa mais longos, que não são muito comuns no Brasil. Os papéis longos representam apenas 30% da dívida do governo na renda fixa atrelada à inflação. Mas, em ações, há papéis “quase-renda-fixa”, que podem se tornar atrativos.

Entre esses papéis estão estruturas de Project Finance, ou companhias que assumem projetos de longo prazo que permitem manter uma taxa de retorno elevada por muito tempo e fluxo de caixa constante. É o caso de concessões de rodovias ou companhias de geração de energia. Eles se beneficiariam de uma queda dos juros, diz o banco. E, com o juro caindo, o custo das empresas e do dinheiro no tempo também cai, e o valor atual dos papéis deve subir.

O Itaú diz que isso beneficia todas as empresas, mas no caso das concessões, o impacto é maior porque o fluxo de caixa delas é mais previsível do que de outros setores, que estão sujeitos a outros riscos. Assim, é mais fácil calcular os ganhos no tempo com a queda dos juros e reavaliar as ações.

O banco também acredita que os pagamentos de dividendos altos pelas empresas de concessões não se sustentarão com os juros mais baixos. Ao mesmo tempo, o preço das ações subirá. Os juros altos mantiveram os retornos em dividendos também elevados no Brasil, na faixa de 4,9% no caso das concessionárias, enquanto a média em outros setores é de 2,9%. O setor de Telefonia também pode se encaixar nesse cenário.

Outro segmento que pode se valorizar é o de produtores de renda, como os shopping centers. O impacto mais direto, diz o Itaú, ocorre no custo menor de captação e na possibilidade de tomar empréstimos mais baratos para investir.

Assim, considerando o tempo de retorno dos papéis, e quanto maior, maior o impacto no preço das ações, o Itaú chegou a seis ações: Ecorodovias ON, Copasa ON, Energisa Unit, Sabesp ON, Telefônica do Brasil PN e BR Malls.

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Pelo lado dos shoppings, a corretora destaca a BR Malls, que teria um prazo de retorno do investimento (duration) de 14,5 anos, acima da média do setor, de 13,9 anos e com uma dívida elevada. A dívida da empresa atrelada ao CDI é de R$ 1,5 bilhão, o que significa que cada queda de 1 ponto percentual na taxa ao ano representaria uma economia de R$ 15 milhões.

No caso da CCR, a exposição da empresa ao CDI é de R$ 1,1 bilhão, o que representa uma queda de R$ 10,2 milhões em despesas anuais para a companhia, ou 3,3% do ganho estimado para 2017, de R$ 308 milhões.

 

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