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Título do Tesouro rende até 47,5% no ano, supera Ibovespa e ainda tem espaço para ganhar

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Os títulos do Tesouro foram beneficiados neste ano pela queda dos juros, que valorizou os papéis antigos e suas taxas mais altas. Quanto maior o prazo, maior foi o ganho dos papéis, cujo valor se ajusta às condições diárias do mercado e às taxas projetadas. É o caso da NTN-B Principal, rebatizada como Tesouro IPCA+, que paga juros somente no vencimento. O papel para 2035 acumula um ganho no ano de 47,55%, conforme dados do site do Tesouro Direto.

Em 12 meses, o papel acumula 50,06%, superando inclusive o Índice Bovespa, referencial do mercado de ações brasileiro, e que acumula no ano 36,9% e, em 12 meses, 26,12%. Esse ganho é reflexo da queda dos juros desses papéis, que estavam em 7,5% ao ano em janeiro mais IPCA e agora estão em 5,80% ao ano. É o impacto dessa queda aplicada por todo o prazo de 19 anos até 2035 que resulta nesse ganho.

Outros papéis também apresentam ganhos expressivos. caso dos papéis prefixados, que definem na hora da aplicação o ganho até o vencimento. Por terem maior risco, seu prazo também é menor que os indexados à inflação. A LTN, papel prefixado com juros pagos no fim do prazo, com vencimento em 2021, o mais popular, acumulou ganho no ano de 34,75% e, em 12 meses, de 31,99%. Perde para o Ibovespa no ano, mas ganha em 12 meses. No caso, o juro desse papel caiu de 16,65% em janeiro para 11,57%.

Mas esse ganho é passado e conta para quem já tinha o papel. Para quem pensa em aplicar agora ou avaliar se vale a pena manter a aplicação, o analista da Rico Corretora, Roberto Indech, diz que os papéis do Tesouro ainda são uma boa alternativa apesar da queda dos juros. “Mesmo com juros menores, são ativos que devem seguir com um ganho bem maior que o da poupança e com a possibilidade de liquidez imediata”, afirma. Indech diz que o investidor deve pensar em termos de ganho real.

A perspectiva para a inflação do Banco Central (BC) no relatório trimestral é de um IPCA subindo 4,4% no ano que vem e 3,8% no próximo. Neste ano, a Selic, taxa básica de juros já deve começar a cair dos atuais 14,25% ao ano para 13,5% em dezembro. Assim, o juro real ainda vai estar acima de 6%, mas por pouco tempo mais caso o governo consiga aprovar as medidas de ajuste fiscal. “É uma bela taxa considerando que os juros no exterior estão negativos ou perto de zero”, explica.

Assim, os papéis representam um retorno bom para quem pensa no longo prazo e aposta no ajuste do país. E mesmo para quem quer especular no curto prazo. “Acho que ainda há espaço para ganhos na queda dos juros mais longos prefixados ou nas NTN-B, mas menos que havia no começo do ano”, diz. Os papéis que Indech considera mais atrativs são a LTN prefixada 2023 e a NTN-B Principal 2035.

Riscos de solavancos

Mas o investidor deve estar preparado para eventuais solavancos. É possível que os juros voltem a subir em momentos de tensão no Brasil ou no exterior e, com isso, esses papéis perderiam valor durante alguns períodos, como ocorreu no começo deste ano. Caso o governo não consiga aprovar as medidas fiscais ou a reforma da Previdência, por exemplo, o que é visto como pouco provável, mas sempre possível, as taxas subiriam e os papéis perderiam valor no curto prazo. Para quem vai ficar com o papel até o vencimento, porém, essas perdas nada significam, pois o ganho, prefixado ou real além da inflação, estará garantido. Apenas se tivesse que vender o papel antes do prazo no mercado haveria risco de alguma perda.

O juro, explica Indech, depende das reformas. Ele acredita que a reforma da Previdência deve passar em 2017. “Só com a reforma dos gastos e da Previdência, o juro nominal já pode ir para casa de 10% ao ano”, diz. “E temos um cenário recessivo, que deve fazer a taxa cair e acabar com o juro de 1% ao mês que temos hoje”, afirma.

Para comprar papéis do Tesouro via Tesouro Direto é preciso ter conta em uma corretora de valores. A escolha dos papéis é feita pelo próprio investidor de acordo com sua estratégia. Papéis mais longos são recomendados para aposentadoria.

Abaixo, o rendimento dos títulos do Tesouro Direto

 

 

 

Títulos Vencimento Em 30 dias Setembro No ano 12 meses
Tesouro Prefixado 01/01/2017 1,14 1,15 12,19 15,8
Tesouro Prefixado 01/01/2018 1,33 1,6 17,37 19,66
Tesouro Prefixado 01/01/2019 1,52 2,14
Tesouro Prefixado 01/01/2021 2,28 2,81 34,75 31,99
Tesouro Prefixado 01/01/2023 2,64 3,41
Tesouro Pré Juros Semestrais 01/01/2017 1,14 1,16 12,14 15,77
Tesouro Pré Juros Semestrais 01/01/2021 2,1 2,49 29,08 27,24
Tesouro Pré Juros Semestrais 01/01/2023 2,24 2,85 34,43 30,89
Tesouro Pré Juros Semestrais 01/01/2025 2,45 3,18 38,94 34,43
Tesouro Pré Juros Semestrais 01/01/2027 2,49 3,25
Tesouro Selic 07/03/2017 1,1 1,1 10,55 14,15
Tesouro Selic 01/03/2021 0,89 0,89 10,17 13,75
Tesouro IPCA+ 15/05/2019 1,37 1,7 15,06 19,61
Tesouro IPCA+ 15/08/2024 0,53 0,73 24,49 28,09
Tesouro IPCA+ 15/05/2035 1,72 0,45 47,55 50,06
Tesouro IPCA+ Juros Semestrais 15/05/2017 0,86 0,79 11,28 16,45
Tesouro IPCA+ Juros Semestrais 15/08/2020 1,01 1,39 15,83 20,49
Tesouro IPCA+ Juros Semestrais 15/08/2024 0,65 0,87 20,81 24,8
Tesouro IPCA+ Juros Semestrais 15/08/2026 0,47 0,88
Tesouro IPCA+ Juros Semestrais 15/05/2035 1,04 0,48 30,11 33,26
Tesouro IPCA+ Juros Semestrais 15/05/2045 0,96 0,54 33,43 36,53
Tesouro IPCA+ Juros Semestrais 15/08/2050 0,97 0,66 33,58 38,68

 

Fonte: Tesouro Direto

 

 

 

 

 

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