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Ofertas de papéis isentos de empresas arrecadam R$ 5,9 bi em dezembro

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As ofertas públicas de papéis de empresas isentos de imposto de renda, incluindo Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), Imobiliários (CRI) e debêntures no mercado entre o fim de novembro e o começo de dezembro movimentaram R$ 5,9 bilhões que deverão ser liquidados neste mês. No total, foram 11 ofertas com prazo de reservas já encerradas, que atraíram grande número de investidores. “Agora o mercado deve ter uma pausa e voltar no ano que vem”, afirma Bruno Carvalho, gerente de renda fixa da Guide Investimentos. “Se pensarmos que não houve uma única oferta de debêntures no primeiro semestre, faz sentido essa concentração e essa expectativa de que muita gente está deixando para emitir no ano que vem”, diz. A isenção de imposto e o fato de os emissores serem grandes empresas, de baixo risco e conhecidas, ajuda a atrair um grande número de pessoas físicas.

Oferta de ações e CRI

Há ainda mais duas ofertas em andamento, uma de ações da Sanepar, cuja reserva termina amanhã (preço entre R$ 9,23 e R$ 11,25, o que pode resultar em uma emissão de R$ 350 milhões) e outra de CRI da Direcional Engenharia, que termina dia 20, no valor de R$ 162 milhões e vencimento em dezembro de 2019, com remuneração equivalente aos juros de CDI mais 0,70% ao ano. Na semana passada, a Gafisa cancelou na última hora, já na definição dos preços, a oferta inicial de ações da controlada Tenda, alegando a piora do mercado de ações. A Tenda seria a segunda abertura de capital do ano, depois do da empresa de diagnósticos Alliar. A Sanepar já tem capital aberto.

Grande procura apesar dos valores elevados

Olhando apenas a renda fixa, as ofertas recentes envolveram valores elevados e mesmo assim tiveram bastante procura, segundo analistas que acompanharam as operações. O destaque foi a de CRAs do Pão de Açúcar, que apesar do valor alto, R$ 750 milhões, teve uma procura três vezes maior, o que levou a um corte de 34% nos pedidos. Ou seja, quem pediu R$ 100 mil levou R$ 34 mil. Em parte, isso se deveu à taxa fixa, de 97,5% do CDI oferecida pelos papéis para todos os investidores.

Outra oferta grande foi de CRA da BR Foods, de R$ 1,2 bilhão, e que também teve grande procura, de R$ 1,8 bilhão nas duas séries, uma corrigida pelo CDI e outra pelo IPCA mais juros. A primeira série saiu com uma taxa de 96% do CDI, com corte de 95,50%, e de NTN-B menos 0,40% (5,89% ao ano) na série com IPCA, com corte de 92,62%. Quem aceitou desconto maior do que 96% do CDI e 0,40% na NTN-B levou tudo o que pediu.

Debêntures

Entre as debêntures de infraestrutura, também isentas para pessoas físicas, destaque para a oferta da Comgás, de R$ 500 milhões por sete anos. A demanda atingiu o dobro da oferta, R$ 1,09 bilhão, e o total emitido atingiu R$ 675 milhões. A taxa ficou igual à da NTN-B de mesmo prazo menos 0,50%, o que resultou em 5,8180% ao ano mais IPCA. Quem pediu esse desconto ou menos levou 73% do pedido. A liquidação, prevista para hoje, foi adiada para semana que vem, dia 23.

Já a oferta da Celpa, de R$ 300 milhões, saiu com taxas 0,40% ao ano além do juro da NTN-B para 2021 e mais 0,65% ao ano para a NTN-B para 2023.

Procura menor e taxa mais alta

Já a oferta mais recente de CRA, da fabricante de celulose Fibria, de R$ 1,250 bilhão, acabou tendo demanda abaixo da oferta, de cerca de R$ 1,1 bilhão, o que beneficiou os investidores. Eles levaram a remuneração máxima oferecida, de 99% na série corrigida pelo CDI, com vencimento em 2022, e a remuneração total da NTN-B na série corrigida pelo IPCA, que vence em 2023. E tiveram 100% dos pedidos atendidos.

Falta de um fundo para CRA

Como foi a última da série, o mercado já estava saturado, explica um analista que pediu para não ter seu nome citado. “Essas ofertas maiores de CRA, pela isenção de imposto, acabam atraindo mais pessoas físicas, e os grandes investidores ficam de fora”, diz o analista, lembrando que não há opção de compras por fundos. “No caso dos CRI, os fundos imobiliários podem comprar e repassar a vantagem fiscal para os investidores de menor porte, mas isso não existe para os CRA”, explica. A expectativa é que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) autorize a criação de fundos também para CRA.

Também emitiram papéis neste mês a Multiplan Empreendimentos, MRV Engenharia, a Camil Alimentos, a Top Terminal de Contêineres de Paranaguá e a Monsanto/Bayer.

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