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Itaú reduz projeção de inflação e vê Selic em 9,25% este ano e 8,25% em 2018

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O Banco Itaú reviu para melhor várias de suas projeções econômicas para este ano e para o próximo, ajustando-as ao que classifica de “novo equilíbrio” do Brasil. A estimativa de inflação caiu de 4,7% para 4,4%, considerando o IPCA. Para 2018, a estimativa foi reduzida de 4% para 3,8%. Já os juros básicos, hoje de 13% ao ano, podem ter três cortes de 0,75 ponto percentual e mais três de 0,5 ponto, terminando o ano em 9,25%, abaixo dos 9,75% projetados anteriormente. Para 2018, a projeção de juros também foi reduzida, de 8,50% para 8,25% ao ano.

A queda das projeções de inflação refletem as expectativas mais positivas do mercado e uma desinflação disseminada, diz o banco, em relatório enviado aos clientes. A equipe econômica do Itaú, comandada por Mário Mesquita, que chegou a ser cotado para assumir o Banco Central (BC) após a posse de Michel Temer, acredita que a inflação mais baixa permitirá uma queda maior dos juros. Além disso, o dólar deve continuar fraco, e a nova meta de inflação, a ser fixada em 2019, deve ser de 4%, ante os 4,5% que estão em vigor deste 2005.

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Para o Itaú, as reformas fiscais continuarão em foco em 2017. O banco espera a aprovação da reforma da Previdência, que é fundamental para o cumprimento do teto dos gastos definido pelo governo por um período prolongado. A aprovação na Câmara deve ocorrer até o fim do segundo trimestre.

Já a atividade econômica apresenta sinais de melhora na comparação mensal, o que fez o banco manter a projeção de crescimento do PIB de 1% este ano e de 4% em 2018.

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As expectativas de consumidores e empresários também devem ajudar na retomada.

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Já o dólar deve ficar em R$ 3,35 no fim deste ano, ante R$ 3,50 na projeção anterior, e R$ 3,45 no fim de 2018 (também R$ 3,50 na projeção anterior). Apesar da queda do dólar, o Itaú espera um aumento do déficit externo brasileiro, com o saldo de contas correntes externas negativo em US$ 23,5 bilhões no ano passado saltando para US$ 33 bilhões este ano e para US$ 50 bilhões em 2018, maiores que os US$ 30 bilhões e US$ 43 bilhões previstos anteriormente.

O déficit externo brasileiro deverá, porém, ser financiável pela entrada de investimentos diretos, voltados para a economia e não para os mercados financeiros. Foi o que ocorreu nos últimos anos, explica o Itaú. Esse financiamento deve manter o setor externo confortável, reduzindo os riscos de volatilidade vindos do exterior que podem afetar o dólar e contaminar a inflação.

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Desemprego de 13,2%

O mercado de trabalho ainda ruim, com o desemprego em alta, chegando a 13,2% no fim de 2017 e 12,9% no quatro trimestre de 2018, vai ajudar a segurar o consumo e a inflação, acredita o Itaú. Apesar disso, o Itaú espera que a destruição líquida de vagas formais de trabalho continue se desacelerando nos próximos meses, embora prossiga até o segundo semestre deste ano.

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Já as condições fiscais tendem a continuar piorando em 2017, para 2,2% do PIB, ou R$ 142 bilhões, contando com R$ 60 bilhões de receitas extraordinárias, que devem vir de programas de renegociação de dívidas tributárias, nova repatriação de recursos do exterior e leilões de concessões de infraestrutura ou vendas de ações de subsidiárias de estatais que podem abrir seu capital. Para 2018, a projeção é de um déficit primário menor, de 1,7% do PIB.

Superávit primário só em 2020

Contando com as reformas, o Itaú espera que o país volte a registrar superávits primários somente em 2020, mas a retomada do crescimento e a redução dos juros reduzirão o ritmo de crescimento da dívida pública. O banco espera que a dívida do governo, hoje em torno de 70% do PIB, cresça para 80% do PIB até 2020 e depois se estabilize.

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