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BNP vê Selic em 7,5% em dezembro; como ficam as aplicações em fundos, poupança e CDB

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O banco francês BNP Paribas reduziu sua estimativa para os juros básicos no fim deste ano, de 8% para 7,5% ao ano, e espera um corte de 1 ponto percentual na taxa na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na semana que vem. Com isso, a taxa, hoje de 10,25% ao ano, cairia já na semana que vem para 9,25%, mais que o mercado estima, que é um corte mais modesto, de 0,75 ponto, para 9,5% ao ano.

O banco admite que tem sido mais otimista que o mercado em relação ao corte dos juros. Por isso, quanto o relatório Focus desta semana reduziu a estimativa média do mercado de 8,5% para 8%, o BNP ajustou também a sua. E, para 2018, manteve sua estimativa de Selic a 7% ao ano.

Pelas estimativas do BNP, além do corte de 1 ponto semana que vem, o Copom deverá cortar os juros em 0,75 ponto em setembro e 0,5 em outubro e dezembro. Já em 2018, dois cortes de 0,25 ponto em fevereiro e março concluiriam o ciclo de ajuste das taxas.

Para justificar seu otimismo, o banco diz que a crise política, em lugar de aumentar a inflação, a esta reduzindo ao desacelerar a retomada da economia.

Com isso, o banco reduziu sua estimativa para o IPCA deste ano de 3,5% para 3%, também por conta da redução da meta de inflação anunciada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O dólar, que poderia ameaçar a inflação, também está tranquilo graças ao cenário internacional benigno e pela relativa calmaria no cenário político local, com o avanço de algumas reformas.

Como ficam as aplicações?

Com as estimativas do BNP, uma aplicação que renda 100% da Selic de 7,5% teria um ganho líquido de 6.37% a 5,81% líquidos, dependendo da alíquota de imposto, que varia de 22,5% até seis meses a 15% após dois anos. Considerando a projeção de inflação em torno de 3% e juros de 7,5%, pode-se estimar um juro real de 4,37% brutos ou 2,71% a 3,28% líquidos.

Ainda é um juro real razoável para qualquer país do mundo, apesar de abaixo da média história do Brasil, que está mais perto de 5% ao ano brutos. Como o país está ainda com dificuldades em retomar o crescimento, faz sentido que o BC mantenha os juros abaixo da média como forma de estimular os investidores.

Para os investimentos pós-fixados, que seguem a taxa Selic ou seu similar privado, o CDI, a tendência portanto é de queda na rentabilidade nominal até o fim do ano que vem. Se a eleição de 2018 escolher um candidato comprometido com as reformas e o ajustes fiscal, pode ser que essa taxa se mantenha ou até caia mais.

Novo cálculo da poupança

Uma mudança importante ocorrerá quando os juros chegarem a 8,5% ao ano. Nesse nível, voltam a valer as regras da nova poupança, para os depósitos feitos a partir de 3 de maio de 2012. Esses saldos passarão a render 70% da Selic, ou seja, no caso da taxa cair para 7,5% ao ano, o rendimento dessa poupança nova seria de 5,25% líquidos. As aplicações antigas, abertas até 3 de maio de 2012, seguirão rendendo 0,5% ao mês (6,17% ao ano) mais a Taxa Referencial, o que será portanto um bom rendimento em relação às demais opções de renda fixa para pequenos valores.

Fundos, taxa máxima de 0,75% ao ano

Uma situação complicada enfrentarão os fundos de renda fixa mais conservadores se o juro Selic cair para 7,5% ao ano. Para empatar com o ganho da poupança em todos os prazos, mesmo os mais curtos, nos quais a alíquota de imposto de renda é maior, esses fundos terão de cobrar taxas de administração de no máximo 0,75% ao ano.

Já se a taxa chegar a 7% ao ano, a taxa de administração máxima deveria ser de 0,50% ao ano para o fundo conseguir superar a caderneta em todos os prazos. Isso vale para fundos conservadores, que investem mais em papéis pós-fixados atrelados ao juro diário Selic, as LFT.

CDB até 90% do CDI

Para os CDBs, que pagam imposto de acordo com o prazo, como os fundos de renda fixa, a rentabilidade mínima para empatar com a poupança com os juros a 7,5% será de 90% do CDI. No Tesouro Direito, as aplicações em Tesouro Selic empatarão com a poupança se o investidor pagar a taxa de custódia de 0,3% ao ano mais uma taxa de administração de até 0,20% ao ano cobrada pelas corretoras. Algumas corretoras inclusive oferecem isenção dessas taxas para atrair os clientes.

 

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