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Antecipação de IR, só para quitar cartão ou cheque especial; juros vão de 2% a 5% ao mês

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Todo ano, os bancos aproveitam o período de declaração do imposto de renda para oferecer linhas de crédito para antecipar a restituição. Apesar das promessas de taxas mais baixas, porém, essa antecipação nada mais é que um crédito pessoal, com juros que podem ir de 2% a 5% ao mês (26,82% a 79,60% ao ano) em média (ver tabela). Alguns bancos não informam as taxas máximas que cobram, alegando que elas variam de cliente para cliente. Por isso, é bom o cliente dessas instituições verificar se não está pagando muito mais que em outras que preferem ser mais transparentes e informam o quanto cobram. É bom também verificar se há outros custos, como taxas de abertura de crédito.

Para tomar o empréstimo, é preciso ter conta e indicar o banco na declaração de renda como destinatário da restituição. Alguns bancos pedem cópia do recibo da declaração onde consta a conta que receberá a restituição e outros, não pois já conseguem confirma automaticamente.

Só para reduzir custo

Os juros altos dessas linhas só justificam alguém antecipar os recursos da restituição se estiver pagando taxas ainda mais elevadas, caso de quem está devendo no cheque especial ou no cartão de crédito, cujos juros variam em torno de 8% e 10% ao mês. Com o fim do rotativo do cartão de crédito em abril, pode ser uma chance de a pessoa colocar também as contas em ordem. “Só compensa no caso de a pessoa ter uma dívida muito cara, e usar o dinheiro para quitar essa dívida”, diz Mauro Calil, especialista em investimentos do Banco Ourinvest.

Mesmo para quitar qualquer outro tipo de dívida, como o crédito consignado ou o crédito imobiliário, que têm juros menores, ele não aconselha, lembrando que o dinheiro da restituição é corrigido pelo juro Selic, remuneração muito mais alta que a de qualquer aplicação financeira, até o pagamento.  “E em nenhuma hipótese deve-se usar a antecipação para contrair dívidas ainda maiores, como dar entrada em um celular de R$ 3 mil ou comprar um carro”, diz.

Para ele, as taxas oferecidas pelos bancos são muito próximas das taxas normais de crédito direto ao consumidor. “São taxas normais, não chegam a ser absurdas, mas não ser absurdo no Brasil não significa que sejam baixas”, lembra. A questão toda, diz, é se há necessidade de pegar dinheiro emprestado. “Se a pessoa está endividada e pagando caro, tudo bem, mas se não, é melhor deixar o dinheiro lá sendo corrigido pela Selic”, diz.

As condições variam de banco para banco. O Itaú Unibanco, por exemplo, financia somente até R$ 5 mil para os clientes de varejo e até R$ 10 mil para o Personnalitté. O banco não informou as taxas de juros, que foram obtidas na tabela divulgada pela instituição na internet para o varejo válida a partir de 7 de março. Por isso, as taxas podem ser um pouco mais baixas para os clientes de varejo de alta renda. Já o Bradesco informa apenas a taxa mínima, de 2% ao mês, mas os clientes de varejo podem contar com taxas máximas parecidas com as da tabela do concorrente Itaú, em torno de 5% ao mês. O mesmo vale para a Caixa Econômica Federal.

 

Antecipação de IR
Banco Juros (% mês) Valor (R$) % Restituição
Caixa a partir de 2,10 75% da restituição 75
Itaú Unibanco 3,01 a 5,40 5.000 ou 10.000 100
Santander 2,59 a 4,59 20.000 100
BB 2,11 a 4,18 20.000 100
Bradesco a partir de 2,00 20.000 100

Fonte: Bancos

 

 

 

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