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Número de idosos triplica até 2050 e país terá 300 mil com mais de cem anos, diz Ipea

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O número de idosos no Brasil, considerando as pessoas com mais de 60 anos, deverá mais que triplicar até 2050, atingindo 66,5 milhões de pessoas, das quais 3,6 milhões com mais de 90 anos e 300 mil acima de cem anos. As estimativas são do presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Paulo Tafner, que participou ontem do 1º Seminário Nacional de Educação em Seguros, da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais (CNSeg).

Menos jovens

Junto com o número maior de idosos vivendo mais, haverá menos jovens, o que vai reduzir a chamada população economicamente ativa, que produz a riqueza que vai sustentar a Previdência Social e a economia em geral. Na década de 1980, segundo Tafner, o Brasil contava com 66 milhões de pessoas em idade ativa e 7,2 milhões de idosos. Em 2010, eram 126 milhões em idade ativa e 19,6 milhões de pessoas com mais de 60 anos.

Dois trabalhadores para cada idoso

E as projeções apontam que, em 2050, serão 128 milhões de brasileiros com idade entre 15 e 59 anos e uma população de idosos de 66,5 milhões, ou seja, os idosos representarão 52% da população ativa, ou seja, haverá dois trabalhadores para cada idoso. “O número de idosos será 3,4 vezes maior do que era em 2010, e teremos 3,6 milhões com 90 anos e mais de 300 mil centenários”, alertou.

Esses números demonstram a necessidade urgente de o país repensar seu sistema de previdência, para garantir não só renda, como atendimento médico para essa população, alerta Tafner.

Gasto de velho em país jovem

Ainda de acordo com o economista, o Brasil tem características de países jovens como México e Turquia, mas tem gastos na previdência equivalentes a países mais envelhecidos, como Alemanha e Japão. Entre 2014 e 2015, a Previdência Social apresentou resultado negativo de 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB). “Se não houvesse esse déficit, 2015 fecharia com superávit primário de mais de 2% do PIB”, complementou.

Servidores pesam mais

Ele também defende mudanças no regime de aposentadorias de servidores de municípios, Estados e da União, que só em 2015 apresentaram um déficit de R$ 126,7 bilhões. Ou seja, são apenas 3,5 milhões de indivíduos que produzem um déficit de R$ 127 bilhões. Entre os fatores que contribuem para o aumento de todos esses gastos excessivos estão a mudança demográfica e os incentivos inadequados, como regras de elegibilidade, regras de fixação do valor do benefício e acumulação de benefícios.

Gastos de 21% do PIB

Segundo Tafner, mantidas as regras atuais, em poucos anos o Brasil estará gastando entre 18% e 21% do PIB com previdência. “As futuras gerações estarão condenadas à pobreza”, concluiu, chamando a atenção para a assistência à saúde e o envelhecimento da população, que em 15 anos aumentou as despesas em 1,7 pontos percentuais do PIB. Com essas taxas de crescimento dos grupos etários, a composição dos gastos vai se alterar, elevando o gasto total, o que deve ocorrer nos próximos 30 anos.

Idosos e planos de saúde

Em 2030, os idosos representarão 48% dos gastos com saúde suplementar no país, estima a presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), Solange Beatriz. Nos últimos dez anos, o número de beneficiários de planos de saúde com 60 anos ou mais cresceu 55%, enquanto a população entre zero e 19 anos manteve um crescimento de apenas 25,9%, destaca a presidente FenaSaúde. Segundo ela, o sistema de saúde suplementar tem hoje 6,1 milhões de beneficiários com mais de 60 anos, o que representa 13% do total, o que encarece o sistema como um todo. “Idosos têm doenças crônicas, de trato continuado, complexo e caro”, explica.

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