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Artigo: as alternativas para você planejar a sua aposentadoria

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Antes de entrar no mérito das alternativas da aposentadoria, considero necessário contextualizar o assunto dentro de um espectro mais amplo que é o planejamento financeiro pessoal, onde um dos objetivos é a construção da independência financeira.

O ciclo de Renda do brasileiro acontece de duas formas: (I) Renda do Trabalho e (II) Outras Rendas.

(I) Renda do Trabalho: Enquanto trabalhamos geramos a renda para manutenção familiar, construção de patrimônio, etc. No decorrer deste tempo é fundamental que parte desta renda seja destinada a construção de uma reserva para complementação de renda futura, para garantir o padrão de vida.

Eu diria que mais importante que investir muito, é investir sempre.

(II) Outras rendas: Em algum momento no futuro as pessoas param de gerar renda do trabalho e dependerão muito de outras rendas, dentre elas estão: alugueis, dividendos, previdência social, previdência privada e renda de investimentos.

A cada dia fica mais evidente que depender apenas da previdência social, é um risco muito grande, pois é consenso dentre os especialistas que as regras da previdência social precisam ser ajustadas. Diante deste quadro, não é prudente contar com apenas com este benefício para se manter no futuro.

Como mencionado acima existem algumas formas de se construir um patrimônio que no futuro irá gerar a renda financeira necessária para cada indivíduo.

Hoje, temos a disposição de grande parte dos investidores uma grande oferta de produtos excelentes para alocar os investimentos, que antes eram acessíveis apenas para clientes alta renda ou private.

Assim considero que os produtos previdência privada e os demais produtos de investimentos não são excludentes, pelo contrário, são complementares. Porém é preciso conhecer as peculiaridades de cada um para se conseguir estruturar uma estratégia eficiente.

Vou iniciar destacando alguns diferenciais dos planos de previdência privada.

Existem duas modalidades de planos os PGBL e os VGBL, e qual é o ideal depende da forma que você faz sua declaração de imposto de renda:

– PGBL – Plano Gerador de Benefício Livre

> recomendado para quem faz declaração pelo imposto de renda no formulário completo;

> permite dedução das contribuições até 12% da renda bruta anual tributável, diminuindo o valor do imposto ou aumentando a restituição;

> a tributação é feita apenas no momento do resgate ou do recebimento da renda, sobre o valor total (principal mais juros).

– VGBL – Vida Gerador de Benefício Livre

> ideal para quem faz a declaração anual de imposto de renda pelo formulário simples, ou deseja investir mais que os 12% de sua renda bruta anual tributável;

> a tributação é feita no momento do resgate ou do recebimento da renda, apenas sobre os rendimentos.

Outro diferencial é a possibilidade de escolha de tabela de tributação, tabela Regressiva e Tabela Progresssiva. Aqui também é preciso conhecer por quanto tempo os recursos ficarão investidos, para poder definir a tabela de tributação.

– Tabela Regressiva

> É indicada para quem terá rendas tributáveis mais altas, dado que a alíquota poderá chegar à 10%.

É mais vantajosa para pessoas que pretendem utilizar os recursos em prazos superiores a quatro anos. O IR é cobrado exclusivamente na fonte, não podendo ser compensado na declaração do imposto de renda.

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– Tabela Progressiva

> Ela é indicada para quem terá rendas tributáveis mais baixas, tendendo ter alíquotas menores, ou ainda para quem terá muitas despesas dedutíveis, fazendo o valor do imposto cair.

> O cálculo do IR obedece às mesmas regras de alíquotas anual da Receita Federal.

> A cobrança ocorre em duas fases:

1- 15% é pago na fonte, independente do valor de resgate

2- Diferenças entre o valor pago na fonte e o valor devido serão acertados na declaração Anual de Ajuste de Imposto de Renda.

 

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Fonte: Receita Federal. A partir do exercício 2017, ano-calendário de 2016

 

Os planos de previdência privada oferecem também a possibilidade de receber o valor acumulado em forma de renda.

Quando há o interesse por este benefício é de fundamental importância conhecer a tábua atuarial e taxa do plano, pois serão determinantes para definição da renda no futuro. Um outro cuidado é no momento que se for converter o recurso em renda, fazer cotações em várias seguradoras para comparar a que oferecerá a melhor condição.

Algumas modalidades de renda:

  • Renda Vitalícia, com ou sem reversão ao cônjuge ou beneficiários;
  • Renda por Prazo Certo, por exemplo, 10 / 20 / 30 anos.
  • Renda Temporária

Nos planos de previdência, os beneficiários são de livre escolha, desde que obedecida a legítima, e os recursos alocados não entram em inventário.

Agora quanto aos produtos de investimentos, como já mencionado existe uma gama imensa e vamos destacar alguns deles.

Os ativos que irão compor a carteira dependerão de seu perfil de risco e prazo disponível:

– Títulos de Renda Fixa: podem ser públicos ou privados, com remuneração pré ou pós fixada

– Fundos de Investimentos: DIs, Renda Fixa, Multimercados, Ações, Investimentos no Exterior

– Fundos Imobiliários

– Títulos de Renda Variável

– Debêntures

Vale destacar aqui os diferenciais de alguns dos títulos de Renda Fixa:

1 – Alguns títulos de emissão privada contam com cobertura do Fundo Garantidor do Crédito (FGC). Por exemplo: CDB (Certificado de Depósito Bancário), RDB (Recibo de Depósito Bancário), LCI (Letras de Crédito Imobiliário), LCA (Letras de Crédito do Agronegócio), LH (Letras Hipotecárias), LC (Letras de Cambio), poupança.

Essa é uma garantia a mais, pois se o emissor tiver problemas para honrar o compromisso no resgate do título, o FGC pagará até R$ 250 mil por emissor e por CPF.

2 – LCI, LCA, algumas modalidades de debêntures de projeto para infraestrutura, dentre outros, oferecem a isenção de Imposto de Renda para pessoa física.

Como eu disse anteriormente, a previdência pode fazer parte da carteira de investimento para estratégias de longo prazo para todos os perfis de investidor.

Eu destacaria dois diferenciais da previdência que contribuem para maximizar os resultados de uma carteira de investimentos: a alíquota de 10% de IR para investimentos com prazos acima de 10 anos (tabela regressiva) e uma gama de produtos desenvolvidos em parcerias com gestores diferenciados.

Após estruturar a carteira de investimentos é preciso manter um acompanhamento periódico para avaliar se tudo está ocorrendo como o planejado ou se requer algum ajuste, em função de mudanças de mercado ou mudança em seu planejamento pessoal (nascimento de um filho, mudança de emprego dentre outras).

Como podem notar estruturar uma carteira de investimentos não é algo trivial, requer dedicação, disciplina e conhecimento.

O seu futuro financeiro depende de suas escolhas no presente, por isso recomendo buscar apoio com um Planejador Financeiro Profissional para auxiliá-lo a estruturar este planejamento ou mesmo referendar/avaliar o planejamento que você definiu.

Regina Prataviera, CFP, é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar (Associação Brasileira de Planejadores Financeiros). Email: [email protected] As informações publicadas refletem as opiniões do autor e não da Arena do Pavini ou da Planejar. O site e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

 

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