Arena Especial, Banco Central

Bancos emprestaram 3,5% menos em 2016; queda real é de 10% no ano

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O saldo de todas as operações de crédito concedido pelos bancos caiu 3,5%, em 2016, de acordo com dados do Banco Central (BC), divulgados hoje. O saldo fechou o ano em R$ 3,107 trilhões, o que correspondeu a 49,3% de todos os bens e serviços que o país produz – o Produto Interno Bruto (PIB). Em dezembro de 2015, essa relação ficou em 53,7%.

Considerando a inflação no período, porém, a queda real das carteiras de crédito é muito maior, 10,1% reais na comparação com dezembro de 2015, estima a Rosenberg Associados. A contração, acima do previsto pela consultoria, foi provocada tanto pela queda dos empréstimos com recursos livres (-11,5% em termos reais) quando direcionados (-8,8%), diz a consultoria.

Segundo análise do BC, “a contração do crédito em 2016 refletiu a retração da atividade econômica e seus impactos na demanda de consumo e investimento e o aumento da percepção de risco do sistema financeiro”.

O saldo do crédito livre, em que os bancos têm autonomia para aplicar o dinheiro captado no mercado e definir as taxas de juros, chegou a R$ 1,557 trilhão em dezembro, com queda de 4,9% em 12 meses. No caso do crédito direcionado (empréstimos com regras definidas pelo governo, destinados, basicamente, aos setores habitacional, rural e de infraestrutura), o saldo chegou a R$ 1,550 trilhão, queda de 2% no ano.

Maior queda foi de PJ

Em porcentagem do PIB, porém, o crédito para pessoas jurídicas teve maior queda, para 24,6% do PIB, estima a Rosenberg, o menor percentual desde outubro de 2011. Já o crédito para pessoas físicas fechou 2016 em 24,7% do PIB, o menor percentual desde 2014. A retração dos empréstimos do BNDES fez o crédito direcionado para as empresas cair 2,1 ponto percentual em um ano.

Fonte: Rosenberg Associados

Para este ano, a consultoria diz que a sinalização é mais alentadora. “Já começamos a perceber quedas menores das concessões e taxas de juros menores mesmo sem os efeitos das quedas da taxa Selic terem começando a aparecer de maneira intensa”, diz a consultoria em relatório. Para a Rosenberg, com a continuidade da queda dos juros, o mercado de crédito deverá mostrar resultados positivos ao longo deste ano, ainda que modestos, e ajudar na recuperação da atividade (ver abaixo).

Fonte: Rosenberg Associados

Inadimplência menor

A inadimplência do crédito, considerados atrasos acima de 90 dias para pessoas físicas, encerrou o ano em 3,9%, caindo 0,2 ponto percentual no mês de dezembro em relação a novembro e 0,3 ponto percentual no ano. No caso das empresas, manteve-se estável em 3,5% no mês e cresceu 0,9 ponto percentual no ano.

A inadimplência com recursos livres e direcionados ficou em 1,8% para as empresas. A inadimplência das famílias nesse recorte chegou a 5,7% em dezembro.

Juros recuam

A taxa média de juros para as pessoas físicas encerrou 2016 em 71,5% ao ano, ou 4,6% ao mês, no crédito livre, com queda em relação a novembro de 2,1 ponto percentual. A taxa de juros cobrada das empresas encerrou o ano passado em 28,2% ao ano, ou 2,09% ao mês.

Crédito direcionado

A taxa de juros com crédito direcionado para as empresas ficou em 11% ao ano, ou 0,87% ao mês. No caso das famílias, a taxa atingiu 10,4% ao ano, ou 0,83% ao mês.

Com informações da Agência Brasil.

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