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Perdeu dinheiro? Sete ciladas que sua mente arma contra você e três dicas para escapar

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Diante da forte pressão da sociedade sobre nossas atitudes e, consequentemente, sobre as nossas decisões financeiras, costumamos fazer muitas escolhas apressadas envolvendo dinheiro que, depois de algum tempo, se mostram bastante falhas, trazendo ainda mais preocupações.

No entanto, como podemos evitar essas situações? Principalmente quando se trata do lado financeiro, algumas reações que parecem naturais e aceitáveis acabam nos levando ainda mais para o fundo do poço. Para evitar essas ciladas, surgiu o estudo das finanças comportamentais, que une a psicologia com os mercados e ajuda os investidores a equilibrar as emoções com as decisões financeiras.

A especialista e consultora de psicologia econômica Vera Rita de Mello Ferreira explica que o “pulo do gato” para alcançar esse equilíbrio nas decisões financeiras está em interromper aquele sentimento de impulso e parar para pensar. Vera participou da Terceira Semana Nacional de Educação Financeira.

A sugestão pode parecer óbvia, mas é preciso examinar os problemas com um pouco mais de atenção. Isso porque, quando pensamos em mudar nosso comportamento financeiro, nossa mente arma algumas ciladas contra nós mesmos. A consultora cita:

1) Olha quem está falando: somos suscetíveis aos mensageiros. Ou seja, a identidade de quem nos dá determinada ajuda ou conselho influenciará muito a nossa análise.

2) Ganhei mais que meu cunhado: em segundo lugar, estão os incentivos: nós gostamos de reconhecimento, mas não podemos nos deixar levar por essa sensação de integração, diz a consultora.

3) Todo mundo faz: além disso, a especialista detalha que sofremos do efeito manada, “nós tendemos a escolher as alternativas mais populares, pois elas parecem mais seguras”.

4) Apareceu na Globo: na quarta posição, a repetição que parece verdade: tendemos a dar atenção para coisas que são mais famosas, que foram mais propagadas, apenas porque nos lembramos delas com mais facilidade.

5) Peças pregagas pelo inconsciente: como na cilada anterior, sofremos também com uma significativa pressão de estímulos inconscientes, associações essas que podem ser perigosas no momento de uma decisão financeira. A aplicação de uma estratégia vitoriosa do passado em um cenário novo, totalmente adverso, pode ser um exemplo.

6) Eu amo Petrobras: em sexto lugar, os afetos, que são nossas associações afetivas sobre produtos,

7) Confio em mim: finalmente, o comprometimento, que é aquela situação em que você diz para todo mundo que vai parar de fumar e não consegue, isso pesa depois. O ideal de acordo com a especialista que é você consiga fazer um acordo honesto com você mesmo, criando um ambiente saudável para a tomada de decisões mais favoráveis.

Ela conta que a ideia da psicologia econômica é ajudar o cidadão a tomar melhores decisões para si, explorar o lado racional integrando razão e emoção. “É preciso aprender com as escolhas anteriores e não apenas passar por elas”, lembra. Vera alerta que é preciso guardar a capacidade cognitiva e emocional para tomar decisões realmente importantes e não para refletir intensamente sobre tudo na sua vida, a fim de não sobrecarregar sua capacidade análise.

Confira abaixo três dicas para enfrentar as ciladas criadas pela sua mente:

1) Atenção!
Quem tem pressa come cru diz o ditado popular e com o mundo todo pressionando a compra “daquele produto que está em promoção até sábado” você acaba cedendo. Segundo a consultora, como as pessoas de forma geral possuem a chamada aversão total a perda “vamos sendo empurrados a tomar decisões sem pensar”.

Ela conta que nos Estados Unidos algumas lojas no Natal tocam uma música natalina muito alta, para que as pessoas fiquem incomodadas e queiram se livrar daquela situação, comprando mais rápido e muitas vezes mais do que o necessário.

2) Tentações
“Eu consigo resistir a tudo, menos às tentações” já dizia o escritor inglês Oscar Wilde. A especialista recomenda que, se já sabemos quais são as nossas tentações, é bom nos mantermos longe daquelas que nos atrapalham no equilíbrio das finanças. Caso não se conheça os pontos fracos, é bom identificá-los.

3) Controle
Quando perdemos o controle das situações, ficamos mais burros. Nossa capacidade em reter os detalhes não funciona direito, o mesmo acontece quando estamos muito cansados. Por isso, é preciso compreender que o autocontrole é recurso escasso, que pode se esgotar. A dica de Vera é focar nas escolhas realmente relevantes para sua vida.

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