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Presidente da Abecip diz que momento é bom para compra de imóvel para morar

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O momento é bom para quem quer comprar um imóvel para uso próprio, afirma o presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Gilberto Duarte de Abreu Filho. “Pode ser o momento para comprar um imóvel para morar e travar um preço mais baixo”, diz explicando que, nos próximos meses, a queda dos juros pode reativar os negócios e aumentar os preços. “O comprador pode tirar o financiamento agora para aproveitar os preços e depois fazer um refinanciamento com juros mais baixos”, explica. Para ele, o mercado já passou pelo “fundo do poço” e agora tende a se recuperar lentamente.

Ele diz que os preços dos imóveis caíram significativamente nos últimos dois anos. “Mesmo quem não baixou o preço, teve a perda da inflação”, observa. Usando o Índice Geral do Mercado Imobiliário (IGMI), que usa os dados dos imóveis financiados pelos bancos filiados à Abecip, os preços caíram em média, no ano passado, 2,47%. “Se formos considerar a inflação, a queda real é de 8% em 2016”, estima Abreu. “O mercado vai ajustando o preço pela inflação, e possivelmente há cidades em que essa queda real chega a 20%”, afirma.

Segundo Abreu, se a reforma da Previdência for aprovada, os juros básicos, previstos para recuar para 9,5% no fim deste ano pelas estimativas do mercado, podem cair ainda mais. Juros menores, os bancos mudando sua política de crédito pela queda no endividamento das pessoas, e mais a poupança se tornando mais competitiva e aumentando os depósitos e os recursos disponíveis, abrem espaço para as operações de crédito imobiliário crescerem.

Crescimento de 5% no ano

A Abecip trabalha com um crescimento de 5% este ano para os financiamentos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). “Mas veja que não falamos de nada extraordinário, 5% significa passar de R$ 47 bilhões no ano passado para R$ 49 bilhões, não é voltar para os R$ 112 bilhões de 2014”, destaca. No ano passado, os empréstimos caíram 38% sobre 2015.

Para quem comprar imóvel para investimento, porém, pode ser melhor esperar um pouco mais, diz o executivo. “O mercado deve continuar devagar neste semestre, começa a melhorar no segundo e retoma em 2018, quando os preços podem voltar a subir”, diz.

Juro nominal influencia mais

Abreu observa que o crédito imobiliário depende mais da queda dos juros nominais do que dos reais. “O juro nominal tem de cair para reduzir o valor das prestações, o que reduz a renda necessária para tomar o empréstimo e ao mesmo tempo para comprometer menos a renda do financiado”, diz. Ele chama a atenção para o fato de os juros projetados pelo mercado futuro de DI apontarem taxas de 11,30% ao ano, enquanto no relatório Focus os analistas estimam uma Selic de 9,5%. “Essa diferença é a taxa de risco que reflete a incerteza se o governo vai conseguir aprovar a reforma”, diz. “Se aprovar, essa taxa vai cair e reduzir o custo para os bancos”, afirma.

Taxas do crédito imobiliário já caíram

Segundo Abreu, os bancos já reduziram um pouco os juros do crédito imobiliário depois que o BC baixou a Selic de 14,25% para 13% ao ano. A taxa média há um ano estava em 11,5% mais Taxa Referencial (TR) e hoje está mais perto de 10,5% ao ano. “Caiu mais ou menos um ponto percentual”, diz.

Ele afirma também que a procura de crédito nos bancos melhorou nos últimos meses e as instituições estão mais propensas a emprestar. Um exemplo é o valor que os bancos financiam do imóvel, que era de 80% antes da crise e caiu para 70%. “Com a crise e a expectativa de queda no valor dos imóveis, os bancos tiveram de reforçar as garantias e reduziram aparcela financiada”, explica Abreu. “Com a situação melhorando e os preços ajustados em termos reais dos imóveis, esse valor deve subir para 80% outra vez e os bancos devem ser mais flexíveis na concessão do crédito”, diz.

Imóveis mais caros demoram mais para se recuperar

Segundo Abreu, os imóveis de menor preço tendem a se recuperar mais depressa. “Essa faixa, abaixo de R$ 300 mil, não sofreu tanto com a crise pois sempre há pessoas casando e precisando de imóvel”, explica. Já a faixa mais alta, de R$ 800 mil a R$ 2 milhões, voltada para a classe média ou média alta, vai demorar mais para reagir. “Essa faixa é onde há mais estoque de imóveis para vender e onde também houve mais distratos”, observa.

 

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