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“PIB pré-Joesley” não garante saída da recessão, lembra economista; “pós-Joesley” é o que conta

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O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, divulgou nota hoje comemorando o crescimento de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no primeiro trimestre em relação ao trimestre anterior, o primeiro resultado positivo desde 2014. Na nota, o ministro diz que “depois de dois anos, o Brasil saiu da pior recessão do século”, mas observou que há um longo caminho a ser percorrido. Mais animado, o presidente Michel Temer declarou em sua conta no Twitter: “Acabou a recessão! Isso é resultado das medidas que estamos tomando. O Brasil voltou a crescer. E com as reformas vai crescer mais ainda.”, escreveu.

Mas antes que o governo saia a se vangloriar, é importante salientar: há o pré-Joesley e o pós-Joesley, alerta a economista Monica De Bolle em sua conta no Facebook. O PIB pré-Joesley cresceu 1% no primeiro trimestre quase inteiramente puxado pela agropecuária, setor de Joesley Batista, socio da JBS, maior produtora de carnes do mundo.

Monica faz assim uma referência aos efeitos da crise política provocada pelas denúncias feitas pelo sócio da JBS, que gravou conversa comprometedora com o presidente Michel Temer. As conversas são agora alvo de uma investigação da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal (STF), que pode custar o mandato de Temer. Além disso, as denúncias enfraqueceram o governo no Congresso e dificultaram a votação de reformas importantes, em especial a da Previdência, o que ameaça o ajuste fiscal promovido pela equipe do ministro da Fazenda.

Monica lembra que, no “pós-Joesley”, ou seja, a partir deste trimestre, a safra recorde não terá mais protagonismo algum. “Portanto, o dia de hoje nada tem de histórico, como quer convencer-nos Henrique Meirelles, tampouco sinaliza o fim da recessão”, afirma.

Ela lembra que o fim de uma recessão exige ao menos dois trimestres de PIB em expansão, como reza o Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace), da Fundação Getulio Vargas (FGV), “e como bem sabe o ministro da Fazenda”. “Ao prestar-se a esse papel, o Ministro de Temer assemelha-se a outro, longevo”, diz a economista. “O que importa agora é como reagirá a economia ao pós-Joesley.”

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