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Papéis isentos superam R$ 5 bi no ano e viram opção no juro baixo para investidor em renda fixa

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Os primeiros quatro meses deste ano foram bastante movimentados em termos de emissões de papéis isentos de empresas. No total, entre certificados de recebíveis do agronegócio (CRA), certificados imobiliários (CRI) e debêntures de infraestrutura, foram R$ 5,3 bilhões divididos em nove ofertas. “Tem bastante coisa, este segundo trimestre está bem movimentado”, diz Bruno Carvalho, gerente de renda fixa da corretora Guide Investimentos, uma das principais participantes desse mercado.

Esses papéis contam com a vantagem de não pagarem imposto de renda sobre os ganhos das pessoas físicas, o que os torna mais atrativos em um ambiente de juros mais baixos. Em compensação, têm prazos mais longos e menor liquidez, além do risco de crédito, já que não são protegidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que só garante papéis emitidos por bancos.

As operações incluem grandes captações como os CRA da Raizen, da Ultrapar e Pão de Açúcar, que começaram com R$ 750 milhões e acabaram levantando R$ 1 bilhão. O CRA da Klabin também começou com R$ 700 milhões e acabou levantando R$ 845 milhões, indicando o forte apetite dos investidores pela isenção e pelos nomes conhecidos do mercado.

Há ainda a operação recente de debêntures da Algar Telecon, de R$ 320 milhões e da Companhia Paulista de Transmissão (CTEEP), de R$ 300 milhões, além de um CRI da Allianz Shopping, de R$ 180 milhões. O mercado espera ainda um CRA da Açúcar Guarani, de R$ 300 milhões, da francesa Téreos.

Ajuste de endividamento

O volume é bem razoável, avalia  Carvalho, lembrando que o mercado passou um período mais devagar, “mas depois do carnaval veio bem forte de ofertas”, lembra. No fim do ano passado, já tinha havido bastante movimento de CRA e debênture. “Esse aumento de ofertas mostra um mercado mais aquecido, com empresas buscando readequar seu endividamento, com papel isento, que pode pagar menos ao investidor pessoa física, o que reduz o custo de captação”, lembra. E, com juros mais baixos, as empresas podem votar a investir. “Hoje as empresas estão conseguindo taxas mais baixas que anos atrás”, diz.

Muita pessoa física

O comprador é pessoa física em geral, especialmente nas debêntures, que não foram para qualificados, e aceitavam aplicações de no mínimo R$ 1 mil. “Essas poderiam ser para qualquer um”, observa Carvalho. E mesmo os CRAs e CRIs, para qualificados, com mais de R$ 1 milhão em aplicações, pode entrar com um valor pequeno, R$ 1 mil também. “O que vimos é que não foi só investidor grande que entrou nessas ofertas, teve muita gente buscando novas alternativas”, afirma Carvalho, lembrando que a oferta das letras de crédito imobiliárias (LCI) e do Agronegócio (LCA) caiu depois que os bancos reduziram suas carteiras de crédito. “Os bancos ficaram sem lastro de empréstimos para servir de garantia para emitir LCI e LCA e o investidor com liquidez busca alternativas”, diz.

Com a queda de juros, o investidor fica ainda mais mal aplicado no banco, que não oferece aplicações rentáveis em seus papéis.

Grande maioria aplica R$ 10 mil

As aplicações em papéis de empresas isentos têm ficado em média entre R$ 10 mil e R$ 200 mil. As de maior risco, mais sofisticadas, têm investidores maiores, com média de R$ 50 mil por operação. Mas a maior parte fica mesmo nos R$ 10 mil. “Nada muito grande, o mais frequente é R$ 5 mil, R$ 10 mil, o que mostra que não é grande investidor, mas pessoa física querendo melhorar a performance financeira da carteira”, diz.

Mercado secundário

Já o mercado secundário, que garante que o investidor vai conseguir vender seu papel caso precise de dinheiro antes do vencimento, vem melhorando, afirma Carvalho. “Mas o que acontece é que quando há um primário muito forte, com muitas ofertas boas, o investidor não vai para o secundário, já compra nas ofertas, o que reduz o volume no secundário”, explica.

Carvalho lembra que, no ano passado, não ocorreram tantas ofertas primárias, somente no fim do ano. “Agora temos um estoque para trabalhar no secundário”, diz. Mas a negociação leva algum tempo. “Talvez mais no segundo semestre o secundário ganhe mais força, mas isso se não tiver muita coisa no primário”, diz. Ele observa também que as ofertas de CRA têm saído com duas séries, uma corrigida pelo CDI e outra pela inflação mais juros com base na remuneração de um papel do Tesouro, como uma NTN-B, corrigida pelo IPCA. Já as debêntures têm saído com uma série apenas, corrigida pelo IPCA mais juros ou pelo juro do CDI.

Mais procura por redução de custo de dívida

A queda dos juros tende a atrair mais empresas para o mercado, com a finalidade de reduzir seu custo de dívida. Como os bancos não estão aumento o crédito nem os limites das empresas, a saída é o mercado de capitais, explica Carvalho. “Se a empresa é incentivada, pode emitir papéis isentos, ou seja, é ligada a infraestrutura ou ao agronegócio ou ao mercado imobiliário, mesmo que indiretamente, o mercado de capitais é a alternativa mais fácil”, diz. “É uma opção também para empresa que não tem acesso ao mercado internacional”.

Carvalho espera pelo menos mais 3 ou 4 ofertas nos próximos três meses. “O mercado está bem aquecido e os valores acima do estimado inicialmente mostram que a demanda dos investidores é alta”, diz. Ele espera que as ofertas de debêntures cresçam ainda mais com a autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para empresas limitadas, sem capital aberto, poderem emitir.

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