Arena Especial, Gestão de Patrimônio

Órama vê oportunidade de ser opção a XP e Mellon para clientes, agentes e gestores

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A compra de 49% do capital total da corretora XP Investimentos pelo Itaú não vai atrapalhar o processo de desbancarização dos investidores brasileiros, afirma Habib Nascif, presidente da Órama Investimentos, pioneira na distribuição independente de fundos de terceiros do mercado.  “É um movimento que veio para ficar, de as pessoas buscarem informação e terem acesso a novas plataformas de investimento de menor custo e maior rentabilidade graças às novas tecnologias”, diz.

Segundo o executivo, a decisão do Itaú confirma que essa é a tendência, tanto que o banco não quis ficar de fora. “Ele até tentou fazer um movimento por conta própria, com a plataforma 360 graus, mas resolveu depois investir em uma plataforma já consolidada que era a XP”, afirma. Para Nascif, mesmo que a XP perca o caráter independente, será difícil o movimento de desbancarização acabar. “Até porque se alguma plataforma deixar de cumprir seu papel, de oferecer investimentos com baixo custo, surgirão outras”, diz. “Foi um movimento de um player grande que se sentia incomodado e resolveu também entrar numa tendência que já está consolidada lá fora”, diz.

A expectativa, diz o executivo, é que à medida que mais pessoas experimentem as plataformas independentes, mais o movimento aumente. Um movimento que deve ser ajudado pelos agentes autônomos de investimentos. “Nós já vínhamos um movimento de oferecer facilidades com baixo custo para o investidor, como ferramentas com comparadores, portfolios sugeridos e outras comodidades”, afirma Nascif.

Entre essas comodidades estão sistemas que calculam o limite que o cliente tem disponível  para aplicar em CDB, LCI ou LCA sem estourar o limite do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Ou calcular as taxas equivalentes entre aplicações isentas em LCI e tributadas em CDB.

Gestores e agentes autônomos

Há um ano e meio, a Órama resolveu entrar no mercado de parceiros, que incluem não só os  agentes autônomos, como também os gestores de recursos, criando uma plataforma especial que se modela ao distribuidor. O modelo, que ficou pronto em dezembro do ano passado, já vinha sendo beneficiado pela decisão do banco americano BNY Mellon de sair da área de distribuição de fundos. Como a Mellon era a maior administradora de gestoras independentes, acaba também distribuindo as carteiras. Em outubro, porém, ela anunciou que deixaria de prestar esse serviço.

Estrutura customizável

Com isso, a Órama resolveu ocupar esse espaço, oferecendo sua plataforma customizável para os gestores, que não precisam montar uma estrutura própria de controle de contas, sutability, nem tenha de manter um diretor responsável pela área, como exige a regulamentação de distribuição. “Com isso, facilitamos a entrada dos gestores no varejo, pois ele só precisa do cadastro eletrônico, e ainda pode oferecer fundos de outras casas”, explica Nascif.

Já o agente pode escolher entre os mais de 100 fundos que a Órama acompanha. “Ele não precisa escolher os 70 que distribuímos, ele pode escolher outros e definir o site com suas cores e identidade”, diz Nascif.

Agentes autônomos mais interessados

Segundo o executivo, o anúncio da operação da XP com o Itaú despertou ainda mais interesse dos agentes autônomos pela plataforma da Órama. “Muitos que tinham agendado pediram para antecipar as demonstrações”, diz Nascif. “A ideia era criar uma plataforma para brigar com os concorrentes, mas a saída da Mellon e as mudanças na XP acabaram deixando os agentes autônomos confusos e despertou mais interesse, acelerando as negociações e os fechamentos de negócios”, explica. A Órama já tem 120 parceiros, sendo 50 gestores e 70 agentes autônomos. “As plataformas têm de ser diferentes pelas exigências da regulação, mas o funcionamento é semelhante”, afirma.

Debêntures e ações

Segundo ele, neste trimestre, a Órama vai incluir a compra de debêntures em seu sistema e, se  tudo correr bem, até o fim do ano, será possível negociar diretamente ações e fundos imobiliários na bolsa.

Crescimento maior após XP

A meta era chegar a ter 250 parceiros até o fim do ano, mas com a aceitação da plataforma e os movimentos da Mellon e da XP, Nascif espera atingir 350 parceiros sem dificuldades. “Temos  todo esforço em conquistar clientes diretamente, e a nova força dos agentes autônomos e dos gestores, usando as plataforma e trazendo clientes deles”, explica.

Meta é triplicar número de clientes

A Órama tem hoje em custódia de fundos e papéis de renda fixa R$ 1,450 bilhão de custódia. São 86 mil clientes cadastrados que efetivamente têm contato com a plataforma, seja para olhar ferramentas, seja para distribuição de investimentos ou educação financeira. Ativos, movimentando contas, são 18 mil clientes, diz Nascif. A ideia é chegar no fim deste ano com  R$ 5 bilhões em custódia, sem contar a  bolsa, que pode aumentar esse valor. “Pretendemos também dobrar os cadastros e triplicar o número de clientes”, afirma Nascif.

Segundo ele, há um aumento de transferências de custódia e de aplicações dos clientes de bancos para a Órama. Por isso, foi criado um sistema que permite transferir as posições em fundos e renda fixa sem a necessidade de resgate da aplicação. “Só transferimos a custódia das cotas ou dos papéis para cá”, diz. O sistema  começou a funcionar neste mês e permite a transferência de ativos de outras plataformas também.

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