Arena Especial, Banco Central

Mercado aumenta aposta em corte de 1,25 ponto na Selic e juros futuros têm forte queda

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Aumentaram as apostas do mercado de um corte maior dos juros básicos neste mês. Segundo levantamento feito pela Mirae Corretora, a probabilidade implícita nos contratos do mercado futuro de DI de corte dos juros em 1,25% na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) nos dias 30 e 31 deste mês subiu para 76% hoje. Já a de repetição do aumento de 1% está em 24%. Na sexta-feira, a probabilidade de corte de 1,25 ponto percentual, ou 125 pontos base, era de menos de 50%, afirma Pablo Stipanicic Spyer, diretor de operações da Mirae.

A expectativa de corte maior dos juros aumenta na proporção inversa das expectativas de inflação, que voltaram a recuar esta semana e estão agora em 3,93%, segundo o Boletim Focus do Banco Central, que reúne as projeções do mercado semanalmente. A projeção para a Selic no fim do ano continua em 8,5%, mas a média do período, que indica também o ritmo de queda da taxa, caiu de 10,25% para 10,22%. Ou seja, o mercado espera que os juros caiam mais depressa.

Hoje, os contratos futuros de DI na B3 fecharam em forte queda. O contrato com vencimento em janeiro de 2018 fechou projetando 9,01% ao ano, para 9,14% na sexta-feira. Para 2019, a projeção fechou em 8,85%, ante 8,96% na semana passada. E, para 2021, a projeção caiu um pouco menos, para 9,60%, ante 9,67% no fechamento anterior.

Com muitas noticias positivas, principalmente o IBC-br, que é uma prévia do PIB e surpreendeu para cima (+1.1% no primeiro trimestre, o que não ocorria desde o começo de 2014, o mercado, que já estava otimista, ampliou bem sua expectativa para um corte mais agressivo dos juros na próxima reunião, afirma Spyer. Outro sinal de otimismo foi a queda do risco-Brasil para menos de 2 pontos percentuais, ou 200 pontos base, de acordo com os papéis de seguro de crédito negociados no exterior (Credit Swap Defaults, os CDS). “E obviamente, a reforma da Previdência estará no radar de todos”, lembra o executivo.
Apesar da alta do IBC-Br no trimestre, os sinais ainda são de aquecimento mais moderado da economia, e também abrem espaço para um corte mais acentuado dos juros.
Juros se ajustam às novas projeções

As apostas em um corte de 125 pontos base se intensificaram, ante 100 pontos-base anteriormente considerados pelos agentes, por ocasião da próxima reunião do Copom no final do mês, diz a BB Investimentos. Com isso, houve continuidade do ajuste generalizado para baixo ao longo da curva da estrutura a termo da taxa de juros, em especial nos vencimentos mais curtos.

Taxa real abaixo de 4% ao ano

Além de se preparar para um corte de 125 pontos base na taxa Selic na decisão do Banco Central em 31 de maio próximo, os agentes, neste momento, já enxergam um horizonte mais promissor para a antecipação do ciclo de afrouxamento monetário, visto que a perspectiva é de retração da inflação em direção a 3% até agosto, e que a política fiscal não pode ser empregada de modo mais incisivo no curto prazo para ajudar a economia. “Ademais, já existem pensamentos que os juro reais ex-ante (projetados de acordo com as estimativas de Selic e IPCA), que hoje circundam os 4,3% para o final de 2017, poderiam ficar abaixo de 4% neste ano – o que poderia levar a taxa Selic a ficar abaixo dos 8,00%”, diz o banco.

O Itaú também reviu suas estimativas para os juros deste ano, e já espera 7,5% ao ano em outubro hoje. Na semana passada, o Bradesco passou a estimar também um corte de 1,25% neste mês e 8% para a Selic no fim deste ano.

Para o investidor, a expectativa é de ganho nominal menor daqui por diante, a menos que haja uma mudança drástica de cenário que obrigue o BC a elevar de novo os juros. As aplicações corrigidas pelo juro diário, Selic ou CDI, serão as mais impactadas, assim como os fundos DI, enquanto os fundos renda fixa com papéis prefixados terão ganhos.

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