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Itaú divulga novo rotativo e reduz juros em 7 pontos; orientação terá operação de guerra

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O Itaú Unibanco anunciou hoje as regras para o crédito rotativo dos cartões do banco, que passa a ter prazo máximo de um mês a partir de abril. A mudança foi estabelecida pela resolução 4549 do Conselho Monetário Nacional (CMN) e obriga os bancos a refinanciar o saldo do rotativo no primeiro mês de vencimento, com juros menores. O objetivo do governo é reduzir os juros pagos pelos devedores, que em geral acabam perdendo o controle das contas ao pagar juros de até 16% ao mês, ou quase 500% ao ano.

Além disso, o Itaú anunciou a redução da taxa de juros do rotativo em sete pontos percentuais, de 16,90% ao mês para 9,90% na máxima e de 6% para 1,99% na mínima. A média hoje é um pouco inferior a 14% ao mês, e deve ter uma queda de 4 pontos, ficando perto dos 9%. “Estamos reduzindo significativamente a taxa do rotativo, em média caindo 4 pontos percentuais”, diz Marcos Magalhães, diretor executivo do Itaú. “Clientes com histórico de pontualidade terão taxas de 1,99% a 9,90% ao mês”, afirma.

Essa redução, segundo Magalhães, foi calculada com base na estimativa de queda no volume de inadimplência dos cartões com a mudança. A partir de agora, o cliente não poderá rolar indefinidamente a dívida no rotativo e deverá parcelar os valores, controlando melhor sua dívida. “Com o mecanismo de parcelar a dívida do rotativo, a pessoa que perdia o controle tende a se controlar melhor”, afirma.

Também as taxas do parcelado foram reduzidas, em 2 pontos percentuais, e passam agora a variar entre 0,99% e 8,90% ao mês. Assim, as taxas do rotativo, que hoje chegam a mais de 16% ao mês, estarão mais próximas das do parcelado. O banco espera compensar a queda dos ganhos com os juros com a redução da inadimplência, afirma Magalhães. “Essa mudança já está incluída no nosso guidance (projeção de resultados) para este ano”, disse, sem detalhar os impactos da mudança.

Quer pagar quanto?

Além dos juros, o banco anunciou hoje como vai refinanciar o saldo do rotativo dos cartões no primeiro vencimento. O banco criou um novo quadro na fatura, além do quadro do total, do pagamento mínimo e do parcelamento. No novo quadro, o cliente poderá parcelar a fatura em 12 meses escolhendo o valor que quer pagar entre um mínimo e um máximo sugeridos pelo banco. O restante vira um financiamento. “Não sabemos quanto o cliente pode pagar naquele mês, por isso, vamos dar uma opção para ele definir a parcela inicial e o sistema vai automaticamente dividir o restante para as próximas faturas em 12 vezes”, diz.

Pagamento mínimo maior

Outra mudança é que o valor mínimo da fatura vai passar a incluir o que deixou de ser pago no mês anterior, ou seja, o rotativo, mais 15% dos juros e 15% das compras do mês. Ou seja, o valor mínimo será maior que hoje, pois atualmente é possível pagar apenas 15% do valor devido no rotativo. “O pagamento mínimo maior deve fazer as pessoas também avaliarem melhor o uso do cartão, o que também deve ajudar a reduzir a inadimplência”, diz.

Festival de parcelados

Com o novo sistema, cada rolagem do rotativo vai se transformar em um novo empréstimo parcelado. Assim, os clientes que usam muito o rotativo passarão a ter muitos parcelados em suas faturas. “Mas isso não é problema, pode até ajudar a controlar melhor os gastos discriminando cada rolagem”, explica Magalhães. Esses parcelados vão se juntar aos que o cliente também tenha feito diretamente nas lojas, com ou sem juros, ou na hora de pagar as faturas.

O limite é o limite

O processo continuará até que o cliente atinja o limite de crédito do cartão. Aí ele não poderá fazer novos financiamentos e terá de pagar as faturas antigas antes. Magalhães lembra que quem não pagar nem o mínimo da entrada do financiamento do rotativo ou do parcelamento normal ficará inadimplente, com suspensão do cartão. “Mas não acreditamos que muita gente vai perder o cartão, o mais provável é que haja um aprendizado e as pessoas se organizem”, diz.

Mais parcelamentos que rotativo

Magalhães destaca que hoje o volume de financiamentos de faturas é maior que o do rotativo, representando 6% da carteira de R$ 59 bilhões de cartões de crédito do banco. “O rotativo é menor que isso e, somado aos atrasos, representa 12% da carteira”, afirma. Além disso, segundo o executivo, 85% dos clientes ou paga à vista a fatura ou parcela, e portanto não serão afetados pela mudança. “Apenas os 15% que usam o rotativo é que serão”, diz.

Hoje, a carteira de cartões representa 10% dos ativos totais de crédito do banco, o que mostra sua importância para o desempenho da instituições. “Mas é muito difícil estimar o impacto nos resultados, pois são muitas variáveis”, afirma Marcelo Kopel, diretor de relações com investidores do Itaú. “Fizemos os cálculos dos juros com pesquisas e estudos sobre inadimplência, mas de repente pode haver uma melhora na economia e no emprego e tudo isso pode mudar”, diz. A grande preocupação, segundo ele, foi conseguir atender à demanda do cliente, de permitir que ele pague o quanto pode e financie o resto.

Operação de guerra

Outra preocupação é em orientar os clientes sobre as mudanças. “Faremos campanhas no rádio e na TV e na internet para explicar”, diz. O banco vai ainda aumentar  em 30% sua força de atendentes para explicar as mudanças para os clientes nas centrais de atendimento. Hoje, o Itaú tem cerca de 29 milhões de contas de cartões, muitas delas com mais de um cartão e usuário.

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