Arena Especial, Política Econômica

Economista Monica de Bolle alerta para manipulação nos índices de inflação

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Em artigo publicado em seu blog, a economista Monica Baumgarten de Bolle comenta as declarações da presidente Dilma Roussef sobre a queda da inflação e alerta para a manipulação dos índices, que poderão trazer consequências no futuro.

No artigo intitulado “Estardalhaço ou Manipulação?”, Monica destaca as declarações da presidente após a divulgação do IPCA de julho, de 0,03%, de que não havia motivo para o “estardalhaço” feito por analistas e jornalistas. “Afinal, a inflação está sob controle. Ou melhor, totalmente sob controle, para usar as palavras exatas de Dilma. Será? Será mesmo”, afirma a economista.

Ao iniciar sua análise, Monica reconhecer que o resultado do IPCA de julho foi bom, e que trouxe a inflação acumulada em 12 meses para “‘apenas’ 6,27%”, ironiza, lembrando que o número é inferior aos 6,5% da meta do Banco Central (BC). Os núcleos de inflação e as medidas de disseminação das altas de preços também sofreram quedas substanciais, observa. “Mas nem tudo são flores”, afirma Monica, citando um ditado em inglês que diz que “se algo anda como um pato e faz ‘quac’ como um pato, é um pato”.

Para a economista, “o controle da inflação alardeado pela presidente tem jeito de manipulação” e “quem paga o pato são todas as brasileiras e brasileiros que acabam sendo ludibriados pela incansável maquiagem que o governo faz, não importa o dado, o número ou o indicador”.

Em seu artigo, a economista apresenta um gráfico com os dados dos preços administrados, que têm alguma interferência do governo, e os livres que compõem o IPCA, de 2004 para cá. Os preços livres respondem por 75% do índice e os administrados, onde entram combustíveis, tarifas de energia,  passagens de ônibus e outros.

Segundo Mônica, esses preços, que antes tinham regras de reajustes claras, passaram a sofrer maior interferência do governo. Ela diferencia essa interferência da feita pelo governo argentino, de Cristina Kirchner. “Ao contrário da viúva (do ex-presidente argentino Nestor Kirchner), o governo brasileiro não é tão escrachado. Não congela todos os preços. Apenas aqueles que já são ‘geridos’, de uma forma ou de outra.” diz Monica, lembrando que isso significa 25% do IPCA.

No gráfico, a economista mostra que esses preços administrados têm uma média anual desde 2005 de 4%, mas em julho ficou em 1,3%. Já os preços livres estão em 7,9%, “perto da máxima de 8% alcançada no início de 2008, quando o Brasil atravessava o auge da bonança internacional que precedeu a crise, o pico da renda”.

Segundo Monica, a “inflação sombra”, aquela represada “pela manipulação do governo”, estaria na faixa dos 7,2% ao ano.

A partir daí, a economista observa o impacto que essa manipulação pode trazer, como no caso da Petrobras, que “claramente já não aguenta a carga que lhe foi imposta” para o governo manter a inflação baixa e a popularidade da presidente. No caso da energia elétrica, o custo estaria oculto na emissão de títulos públicos para cobrir o rombo da Conta de Desenvolvimento Energético.

“Quando arrebentará?”, questiona Monica, para afirmar que em algum momento a conta ao contribuinte ou ao consumidor chegará.

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