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Economia fraca afeta mais bancos públicos do que privados, avalia S&P

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Em meio à forte deterioração econômica do Brasil, as instituições financeiras públicas terão mais dificuldades em resistir aos cenários adversos na comparação com seus concorrentes privados, segundo relatório da S&P Ratings.

De acordo com o texto, os bancos públicos serão afetados pelo crescimento de empréstimos problemáticos, direcionados pelo governo, e por uma deterioração da qualidade dos ativos negociados.

“O governo tem usado ativamente os bancos públicos como uma ferramenta política, mantendo a concessão de crédito durante os fracos ciclos econômicos, o que representa uma característica positiva do sistema financeiro brasileiro”, diz trecho do documento “Quão resilientes são os grandes bancos brasileiros à deterioração econômica?”. 

Além disso, a S&P aponta que a redução das margens de ganhos dessas instituições, que permitiram o aumento de suas participações no mercado de crédito nos últimos anos, deverá começar a pressionar os resultados. Para o futuro, essa perspectiva também deverá prejudicar os esforços de capitalização dos maiores bancos públicos, mais do que os enfrentados pelo grupos privados, que se ajustaram para essa fase de recessão econômica. 

Acompanhe o volume dos empréstimos problemáticos dos maiores bancos brasileiros:

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Do lado oposto, as instituições privadas devem manter um desempenho razoável, apesar da instabilidade na economia local, afirma o analista Jose Perez-Gorozpe. Isso porque, logo no início do movimento recessivo no país, “os bancos privados optaram por restringir o crédito e priorizar os devedores de menor risco para proteger sua rentabilidade”, diz.

Essa postura mais conservadora dos bancos privados fortaleceu seus balanços, já apoiados por um “mix” de negócios mais amplo e portfólios de crédito mais diversificados. Mesmo assim, o S&P nota que os resultados financeiros dessas instituições têm recuado, o que deve continuar nos próximos 12 meses por conta da economia local ainda frágil.

De acordo com o relatório, essa baixa deverá pressionar o retorno sobre capital e o retorno sobre ativos dos maiores bancos brasileiros privados, mas não deverá resultar em perdas líquidas.

Confira as margens de juros dos maiores bancos do país por participação:

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Fonte: S&P Ratings

Projeções

No ano que vem, o S&P espera que a economia brasileira tenha leve recuperação, com crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de 1%, inflação de aproximadamente 6% e baixa dos juros básicos (Selic) para 12,5%. Apesar de que ainda conter riscos de deterioração para a recuperação da economia, as condições de 2017 deverão trazer “certo alívio aos bancos, permitindo a estabilização da qualidade de seus ativos e, possivelmente, a retomada do crescimento do crédito”.

No campo político, caso o governo não aprove as reformas fiscais prometidas, como limites nas despesas e mudanças no regime previdenciário, o sentimento de mercado no Brasil pode se tornar negativo rapidamente, o que provavelmente teria reflexos no crescimento econômico e o emprego. Na tese de cenário negativo, o PIB do país teria contração de 1% no PIB, com potenciais perdas para os bancos privados.

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