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David Rockefeller, banqueiro e filantropo, morre aos 101 anos

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David Rockefeller, banqueiro, filantropo e herdeiro de um dos maiores impérios financeiros dos Estados Unidos, morreu hoje, aos 101 anos. Ele era o último neto vivo do lendário John D. Rockefeller, fundador da Standard Oil e primeiro bilionário americano, que tentou dominar o mercado mundial de petróleo. O avo de David foi um dos maiores defensores do capitalismo e opositor do comunismo no início do século passado.

David era o neto mais novo do patriarca e o único dos cinco filhos de John D. Rockefeller Júnior a dedicar toda sua vida às empresas da família, chegando a presidente do Chase Manhattan. Ele também se tornou conselheiro de políticos importantes, incluindo o chinês Deng Xiaoping, Nelson Mandela, na África do Sul, o último Xá do Irã, Reza Pahlevi, e o influente secretário de Estado Henry Kissinger, que comandou a política externa americana durante os tumultuados anos de 1968 a 1976, em meio à Guerra Fria e ao conflito do Vietnã.

Segundo a Bloomberg, Rockefeller teria pedido ao presidente Jimmy Carter para permitir que Pahlevi, já deposto, viesse aos EUA para tratamento médico, o que provocou o episódio da invasão da Embaixada Americana em Teerã e a crise dos reféns americanos que durou de 1979 a 1981. Apesar das críticas, ele também manteve encontros com os ditadores Fidel Castro, de Cuba, e Saddam Hussein, do Iraque.

Rockefeller teve também um papel importante como filantropo, doando em 2006 US$ 225 milhões para o Rockefeller Brothers Fund, um fundo criado em 1940 para promover mudanças sociais ao redor do mundo. Ele continuou também o trabalho de incentivo às artes e à cultura de Nova York iniciado por seus pais. Em 2005, doou US$ 100 milhões para o Museu de Arte Moderna (MoMA), co-fundado por sua mãe, e mais US$ 100 milhões para a Rockefeller University, uma escola de pesquisa médica fundada por seu pai, que foi um dos primeiros a financiar pesquisas sobre o câncer, ainda no início do século XX. Em 2008, doou mais US$ 100 milhões para a Universidade de Harvard, onde se formou.

Além de museus e universidades, os Rockefeller foram responsáveis por boa parte da história de Nova York, como o Rockefeller Center, erguido por John D. Junior para reanimar a área financeira da cidade durante a Grande Depressão. Durante a construção, ficou famosa a briga do bilionário com o pintor Diego Rivera. Declaradamente de esquerda, Rivera foi convidado a fazer um dos murais do Rockfeller Center. Seu afresco, “O Homem na Encruzilhada”, que trazia as figuras do líder da Revolução Russa Wladimir Lenin e imagens da parada de Primeiro de Maio na URSS acabou destruído depois de pressões de jornais, artistas e políticos.

John D. Junior também comprou e doou o terreno onde está instalada hoje a sede da Organização das Nações Unidas (ONU). Depois, David e seu irmão, Nelson, governador do Estado, incentivaram a construção do World Trade Center e o desenvolvimento do distrito financeiro de Manhattan.

Um dos grandes choques sofridos por David Rockefeller foi a fusão entre seu banco, o Chase, com o J.P. Morgan, de um dos principais concorrentes da família, J. Pierpont Morgan. Hoje, o J.P. Morgan Chase é o maior banco americano e um dos maiores bancos do mundo.

Os quatro irmãos de David tiveram outras atividades não ligadas à empresa da família. Laurance, que morreu em 2004, era um investidor, ambientalista e conselheiro de cinco presidentes americanos na área de meio-ambiente. Nelson, morto em 1979, foi quatro vezes governador de Nova York e vice-presidente dos EUA no governo de Gerald Ford. John D. III, o mais velho, morreu em 1978 em um acidente de automóvel, depois de ter liderado o levantamento de fundos para a criação do Lincoln Center de Nova York. Winthrop, morto em 1973, foi governador do Arkansas. David dizia, ironicamente, que ele era o único dos irmãos que teve de trabalhar para viver.

Com informações da Bloomberg e agências internacionais.

 

 

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