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Devoluções de imóveis mais caros chegam a 51% das vendas em 12 meses, mostra Abrainc-Fipe; estoque cresce

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Nos 12 meses encerrados em fevereiro, a relação entre os distratos de imóveis de médio e alto padrão* e as vendas totais atingiu 51,3%, de acordo com dados das empresas associadas à Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc). No distrato, o comprador desiste do negócio e devolve o imóvel para  construtora, pedindo o dinheiro de volta. Houve um aumento de 2,8 pontos percentuais nas devoluções de imóveis frente ao período anterior, até janeiro, que foi de 48,5% das vendas.

O segmento de média e alta renda respondeu pela maioria, ou 58,6%, do total de devoluções do período, de 43.293 unidades.

Já no segmento de menor renda, o Minha Casa Minha Vida (MCMV), a relação distratos/vendas recuou de 34,2% para 23,9% nos últimos 12 meses.

Total recua por conta da baixa renda

Com isso, o total geral de distratos do mercado nos 12 meses encerrados em fevereiro atingiu 41,6% do total de vendas no período. Houve, assim, uma queda em relação aos 42,7% dos 12 meses encerrados em fevereiro de 2016, em boa parte pela menor devolução no segmento popular. Mas o percentual continua elevado. Em fevereiro de 2015, os distratos representaram 35,9% das vendas.

Os números consideram as vendas e os distratos registrados no período, ou seja, não significa que a unidade que está sendo devolvida é a que foi vendida nos últimos 12 meses. Normalmente, as unidades devolvidas se referem a vendas feitas nos anos anteriores e que ficaram prontas agora, o que exige que o comprador arrume um financiamento em um banco para pagar a construtora.

Como os lançamentos e as vendas vêm caindo, a proporção de distratos de contratos antigos cresce, diante também da dificuldade dos compradores em obter o empréstimo no banco e da queda dos preços dos imóveis, que faz com que os especuladores, que compraram esperando uma valorização, desistam do negócio.

Comportamento diferente

Segundo o estudo, os distratos variam de acordo com o segmento. O número sobe nos empreendimentos de médio e alto padrão, enquanto recua no Minha Casa, Minha Vida. “Isso evidencia o fato de que são mercados que precisam ser vistos de forma separada e independente um do outro”, afirma a Abrainc-Fipe.

O governo estuda regulamentar os distratos para evitar que as questões acabem na Justiça, o que cria insegurança para as empresas, que precisam dos recursos para completar as obras, e para os compradores, que não sabem quanto vão receber ao desistir do negócio.

Safra antiga

Levando-se em conta apenas a safra de lançamentos mais antiga do segmento na série histórica, do 1º trimestre de 2014, a proporção de unidades distratadas entre as unidades vendidas do segmento de médio a alto padrão foi de 29,2%. Já nos  lançamentos do programa MCMV, a proporção de unidades distratadas entre as unidades vendidas em 2014 atingiu a marca de 18,5%.

Estudo separa imóveis de média e alta renda

Pela primeira vez, os estudos separaram os empreendimentos populares do Minha Casa Minha Vida, que são mais influenciados pelas políticas públicas, dos de média e alta renda.

Os empreendimentos residenciais de médio e alto padrão (MAP) responderam por 19,4% das unidades lançadas, 39,8% das unidades vendidas, 49,4% das entregas, e 41,7% da oferta média dos 12 meses encerrados em fevereiro, segundo os Indicadores Abrainc-Fipe divulgados hoje.

Já os empreendimentos vinculados ao programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) responderam, nos últimos 12 meses, por 80,6% das unidades lançadas, 60,2% das unidades vendidas, 50,6% das entregas, 41,4% dos distratos e 58,3% da oferta média ao longo do período.

Lançamentos crescem 7,3% em 12 meses, mas vendas caem

No comparativo de 12 meses até fevereiro, os lançamentos de imóveis residenciais cresceram 7,3% sobre o mesmo período encerrado em fevereiro de 2016, com 69.180 unidades. As vendas, por sua vez, caíram 4,9%, com 104.718 unidades. Foram entregues 132.183 imóveis, 6,8% mais que no período anterior.

O Minha Casa Minha Vida foi destaque no período, com um crescimento de 14,3% nos lançamentos nos 12 meses encerrados em fevereiro, tendência acompanhada pelo aumento nas vendas (10,6%), entregas (5,8%) e oferta média (36,1%) dos empreendimentos do programa.

Já os lançamentos do segmento de médio e alto padrão recuaram 17,5%, ao passo que as vendas foram 18,3% inferiores. Na mesma base de comparação, as entregas de empreendimentos de mais alta renda cresceram 16,1%, enquanto o volume médio ofertado no segmento declinou 13,2%.

No ano, lançamentos recuam 13,4% e vendas crescem

Nos dois primeiros meses deste ano, segundo a Abrainc-Fipe, foram lançadas 4.015 unidades residenciais no país, uma queda de 13,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Já as vendas totais subiram 6,9% nos dois primeiros meses deste ano, com 13.779 unidades vendidas. O total de residências entregues este ano pelas construtoras até fevereiro ficou em 7.585 unidades, uma queda de 55,3% sobre o mesmo período do ano passado.

O segmento de maior renda respondeu por apenas 2,9% dos lançamentos totais neste ano e 37,8% dos imóveis entregues. Os imóveis mais caros representaram 33% do total vendido no país.

Estoque cresce no ano e é suficiente para 17 meses

Em fevereiro, as empresas do setor tinham 118.749 unidades residenciais para vender, segundo a Abrainc-Fipe. Considerando o trimestre encerrado em fevereiro, o total vendido equivalia a 17,6% da unidades ofertadas. Isso significa que o estoque no mercado seria suficiente para anteder a demanda por 17 meses. É o maior número de meses deste 2015, quando o estoque era suficiente para 13,3 meses, e mais que em fevereiro do ano passado, com 16,6 meses.

Desse total, o maior estoque é de imóveis de renda mais alta, suficiente para 17,4 meses, um pouco abaixo dos 17,6 meses de janeiro de 2016. Já o segmento popular, do Minha Casa Minha Vida, tinha um estoque suficiente para 15,1 meses em fevereiro deste ano, para 15 meses no mesmo mês do ano passado.

*Corrige informação publicada antes, que considerava também imóveis populares.

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