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Credores rejeitam plano de recuperação da Oi, que privilegiaria antigos acionistas

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O comitê diretivo do principal grupo de credores da operadora Oi rejeitou hoje os termos do plano de recuperação judicial apresentado pela companhia no último dia 5. Para eles, o plano, que prevê pagamento dos compromissos apenas após 10 anos e conversão de parte da dívida em ações com desconto, beneficia os acionistas da empresa, não atende aos interesses dos vários credores e reflete uma incompreensão da gravidade da atual situação da empresa. A Oi tem uma dívida de R$ 65,4 bilhões.

O comitê, que é composto por 70 instituições que detêm mais de 40% do valor total em aberto dos títulos emitidos pela Oi, discutirá com outros credores relevantes uma reformulação do plano.

“O plano, autorizado por um Conselho de Administração composto por um número significativo de representantes dos acionistas majoritários da companhia, reflete uma tentativa inapropriada de mascarar a realocação de valores aos acionistas, em detrimento dos credores”, disse o comitê em comunicado.

O plano propõe o perdão de R$ 22 bilhões de dívidas, com a alocação deste valor aos acionistas, que irão reter 100% do capital da companhia, aponta o comunicado dos credores.

Segundo o texto, a proposta da Oi exige um extraordinário perdão da dívida, alongamento substancial do prazo de pagamento e outras concessões dos credores. Os credores reclamam ainda que o plano não impõe qualquer sacrifício aos acionistas.

“Apesar da apresentação de um plano desfavorável e provavelmente inaceitável, que não conta com o consentimento dos credores, e da ausência de negociações substanciais com os credores – uma atitude que muitos consideraram hostil –, o comitê permanece focado em encontrar uma solução viável para todas as partes interessadas e impedir o pior cenário”, completam os credores em nota.

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