Arena Especial, Política Econômica

BNP já vê juro básico em 6% ao ano; poupança pagaria 4,2% e fundo teria de cobrar até 0,5% para competir

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O banco francês BNP Paribas trabalha com uma projeção de que os juros básicos, a taxa Selic, hoje de 9,25% ao no, deve cair para 7% nos próximos meses. Mas, segundo relatório enviado aos clientes, há espaço para a taxa cair mais, para 6%. “Nós não nos surpreenderemos se a taxa final do atual ciclo de afrouxamento financeiro chegar a 6% ao ano”, diz o banco, em relatório assinado por Marcelo Carvalho, economista para América Latina. O banco vem há bastante tempo apostando na queda mais forte dos juros e, quanto o mercado ainda trabalhava com 8,5%, já projetava os 7% que agora são o consenso, conforme o boletim Focus do Banco Central (BC).

Caso a projeção do BNP se concretize e o juro se mantenha nesse nível, o rendimento da poupança mudará. Os depósitos feitos a partir de 3 de maio de 2012 passarão a render 70% da taxa Selic (a regra é se o juro básico atingir 8,5% ou menos, o cálculo muda). Já os depósitos feitos antes continuam rendendo os 6% ao ano mais Taxa Referencial (TR). Ou seja, os depósitos antigos terão uma grande vantagem em relação à poupança nova e até em relação a outras aplicações de renda fixa do mercado, que pagam imposto e, no caso dos fundos, taxas de administração sobre os 6% da Selic.

Portanto, no caso de uma Selic de 6%, na chamada nova poupança, 70% seriam 4,25% ao ano de rendimento para as cadernetas. Se comparado com os fundos de renda fixa, essas carteiras terão de cobrar no máximo 0,5% ao ano de taxa de administração para superar a poupança em todos os prazos. Para prazos mais longos, acima de dois anos, nos quais a alíquota de imposto é mais baixa, 15%, o fundo poderia cobrar até 1% ao ano de taxa de administração para empatar com o ganho da caderneta.

O banco diz que não vai mudar a projeção por enquanto devido às incertezas que ainda cercam o ajuste fiscal, mas destaca que o risco não é de uma taxa acima de 7%, mas abaixo. Nos cálculos do BNP, a taxa real média brasileira tem se mantido em 5% nos último 10 anos. Com uma perspectiva de inflação entre 3% e 4%, uma taxa de juros “neutra”, que segure a inflação com crescimento, ficaria entre 8% e 9%. Mas, para o banco, nesse ciclo de corte de juros, as taxas cairão bem abaixo do juro neutro, diante da capacidade ociosa da economia brasileira em relação ao potencial de consumo do país, em meio à recessão recorde, e uma perspectiva de inflação baixa no longo prazo muito bem ancorada agora que o Banco Central recuperou sua credibilidade.

Usando um modelo matemático com essas indicações, o resultado é uma projeção de que os juros deveriam cair para um nível entre 6% e 7% ao ano. Ou seja, segundo o BNP, 6% agora está no cardápio.

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