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PIB dos EUA cresce 2,6% no 2º tri, menos que o esperado, e inflação segue fraca; dólar cai

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A primeira estimativa do PIB americano do segundo trimestre divulgada hoje pelo Departamento do Comércio do EUA,  apresentou crescimento trimestral anualizado de 2,6%. O resultado veio abaixo da mediana das expectativas de mercado, que esperavam crescimento anualizado em torno de 2,7%, segundo a Bloomberg. Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, o resultado foi de 2,0% para 2,1%. Já o resultado do primeiro trimestre foi revisto para baixo, de 1,4% para 1,2% anualizado. Os números derrubaram o dólar em relação às principais moedas e, segundo a MCM Consultores reforçam uma projeção de 2,0% para o crescimento da economia americana este ano.

Dólar cai no Brasil

O dólar foi a reação mais forte, chegando ao Brasil, onde a moeda americana recua 0,41%, para R$ 3,14 para venda no mercado comercial. As bolsas americanas caem após a gigante de comércio eletrônico Amazon ter divulgado resultados bem piores que o esperado, com um lucro por ação de US$ 0,40, diante de uma projeção de US$ 1,42, segundo a Bloomberg. A empresa informou que terá custos maiores e que o e-commerce exige investimentos pesados em tecnologia e logística, e que é preciso se preparar para o aumento das vendas de fim de ano, por isso o ganho menor no 2º e 3º trimestres.

Com isso, Amazon cai 3% e as ações de empresas de tecnologia estão em baixa. O Índice Standard & Poor’s 500 cai 0,27%. O Nasdaq recua 0,33% e o Dow Jones, 0,02%. No Brasil, o Índice Bovespa perde 0,12%, aos 65.204 pontos.

Juros podem demorar mais para subir

A informação é boa para o Brasil, pois, com um crescimento moderado, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) não precisa se preocupar em subir mais depressa os juros e pode reduzir seu estoque de papéis comprados do mercado.

Consumo puxa crescimento

O crescimento dos EUA do trimestre foi praticamente todo puxado pelo consumo das famílias. O índice de gasto pessoal, o PCE, teve aumento de 2,8% trimestral anualizado, com aumentos disseminados, porém destaques positivos para bens e veículos de recreação (13,4%) e vestuário (9,3%). Com este resultado, a atividade local, sem contar o comércio exterior, teve um avanço de 2,4% trimestrais anualizados, confirmando o fortalecimento da demanda interna para o crescimento do trimestre, diz a MCM.

Os demais dados do PIB apresentaram crescimento moderado. O investimento privado bruto doméstico teve aumento de 2,0% no trimestre, anualizado. O principal destaque foi o aumento do investimento em equipamentos não residenciais, puxado em boa parte pelo segmento de computadores (52,4%). O investimento em estruturas também teve bom crescimento (4,9%).

Setor imobiliário cai

O destaque negativo ficou com o investimento residencial, que teve um recuo mais forte no segundo trimestre, -6,8% anualizados, como já era esperado pelos dados mensais de construção. Foi a maior queda desde 2010, depois de uma forte alta no período anterior. Desta vez, os estoques permaneceram estáveis.

As exportações líquidas, por sua vez, tiveram uma contribuição de 0,2 ponto percentual para o número final do PIB, puxadas por um aumento nas exportações (4,1% no trimestre anualizados), em maior proporção que o avanço das importações (2,1%). O consumo do governo teve uma contribuição bem pequena no trimestre para o crescimento do PIB, de 0,1 ponto percentual.

Em razão da revisão anual dos dados do PIB desde 2014, o crescimento médio anual de 2013 a 2016 foi revisado para 2,3%, acima dos 2,2% estimados anteriormente. O crescimento de 2016 foi de 1,6% para 1,5%, enquanto o crescimento do primeiro trimestre deste ano foi de 1,4% para 1,2% trimestral anualizado.

Inflação segue baixa

Já o deflator dos gastos do consumidor PCE, índice preferido pelo Fed para acompanhar a inflação e usado informalmente como meta, teve alta modesta, de 0,9% anualizado, excluindo comida e combustíveis, a menor variação desde 2010. O percentual está bem abaixo da meta do BC, de 2% ao ano, indicando que há espaço para juros baixos apesar do crescimento.

Para a MCM Consultores, com a confirmação do crescimento mais forte no segundo trimestre, a economia americana mostra sinais mais robustos de recuperação após efeitos transitórios que afetaram a atividade no início do ano. Os fundamentos indicam que o ritmo deve se manter moderado até o final do ano, em linha com o cenário apresentado pelo Fed, o que deve contribuir para a continuidade das reduções de ociosidade da economia.

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