Arena Especial, Banco Central

IBC-Br abaixo do esperado mostra economia fraquejando, preocupa analistas e derruba os juros

industria_emprego_produção_maquinas_atividade

O Índice de Atividade do Banco Central (BC) decepcionou o mercado, com uma queda de 0,5% de abril para maio. O mercado esperava uma pequena alta, de 0,2%, depois da subida de 0,1% de abril sobre março. O número indica uma interrupção na retomada da economia, justamente no mês da denúncia de Joesley Batista, da JBS, contra o presidente Michel Temer, que provocou uma crise política que ameaça a aprovação da reforma da Previdência.

75320401-1376-8530-5628-366475734836.png

Fonte: MCM. MM3= média móvel trimestral

Nos 12 meses encerrados em maio, houve queda de 2,23% na série sem ajuste sazonal e de 2,22% com ajuste.

Os dados reforçam a expectativa de que o Banco Central poderá baixar mais os juros nos próximos meses. No mercado futuro de juros, as taxas projetadas para janeiro de 2018 caíram de 8,72% para 8,67%. Para 2019, a projeção recuou de 8,65% para 8,58%. E, para 2021, a queda foi maior, de 9,82% para 9,69%.

A média móvel trimestral (linha azul do gráfico) recuou 0,3%, revertendo a alta de 0,3% do trimestre de abril. Os destaques negativos foram o varejo ampliado e a produção agrícola mensal. Segundo a MCM Consultores, no varejo, apesar da melhora de vendas de veículos e materiais de construção, houve queda de 0,7% sobre o mês anterior. Já a produção agrícola tende a ajudar menos nos próximos meses.

Ajudaram a reduzir a queda do IBC-Br o setor de serviços, com alta de 0,1% no mês, e a produção industrial, com elevação de 0,8%.

Para a MCM, o IBR-Br confirma o quadro de lenta recuperação da atividade, com a tendência de o PIB do segundo trimestre ficar perto de zero. Com isso, o quatro atual de incerteza e deterioração do mercado de trabalho dificultarão a retomada sustentável da atividade.

Já o Bradesco vê o número como uma confirmação da expectativa de que o PIB tenha fechado em queda no segundo trimestre. O banco diz que o resultado frustrou as expectativas dos analistas de mercado e da própria instituição, que esperava queda de 0,1%. Na comparação interanual, houve expansão de 1,4%, ainda acumulando retração de 2,2% nos últimos doze meses.

Já André Guilherme Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, diz que o resultado do IBC-Br mostra que a simples queda dos juros não foi suficiente para criar incentivos para fazer o investimento subir. E observa que o indicador do BC e o PIB “andam de mãos dadas. Ele destaca a queda em maio de 0,51% e a revisão do abril de 0,28% para 0,15%, que colocam em evidência mais uma vez o ajuste recessivo em curso. ‘A falta de demanda e a ociosidade industrial configuram em fortes entraves à Eficiência Marginal do Capital e assim estamos patinando no curto prazo”, explica o economista.

Nos cálculos de Perfeito, “se assumirmos um crescimento de 0% em junho, configurando assim o segundo trimestre fechado, teremos variação de 0% na comparação do 2º tri contra o 1º tri deste ano”. “Um péssimo sinal para o PIB, mas que reafirma nossa projeção de 0,07% para o PIB de 2017”, diz o economista. Para ele, a questão não é mais política esse ano, “não é isso que está segurando a atividade, mas antes a incapacidade de se alargar o horizonte do país que não vê fontes de crescimento”, afirma.

 

Artigo AnteriorPróximo Artigo