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Vitória de João Doria em SP fortalece Alckmin; PT perde espaço no país; descrédito aumenta

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A vitória do candidato do PSDB, João Doria, em primeiro turno para prefeito de São Paulo, com 53,3% dos votos válidos, fortalece o governador  do Estado, Geraldo Alckmin, que brigou com o partido para bancar a candidatura de um novato na política, numa estratégia que se mostrou mais que acertada, e que pode dar o tom da eleição presidencial de 2018. O sucesso de Doria melhora as chances de Alckmin de disputar a Presidência da República, desde que seu pupilo não faça grandes bobagens na sua primeira administração.

A aposta de Alckmin em fugir de nomes conhecidos da política, além de diferenciar seu grupo dos demais do PSDB, mostrou-se acertada não só pela expressiva votação de Doria, mas também pelo descontentamento da população com a política, como mostrou o elevado número de ausentes, 21,8%, e votos brancos, 5,3% e nulos, 11,3%. São percentuais que, somados, representam 36% dos eleitores, muito mais do que os votos do segundo colocado, Fernando Haddad, do PT, que surpreendeu na reta final e conseguiu 16,7% dos votos válidos, superando os favoritos Celso Russomano, que novamente morreu na praia, e Marta Suplicy, com 13,64% e 10,14% dos votos respectivamente.

No Rio de Janeiro, onde haverá segundo turno entre Marcelo Crivela, do PRB, e Marcelo Freixo, do PSOL, o percentual de ausências foi ainda maior e chegou a 24,28%. Em Belo Horizonte, onde também haverá segundo turno entre João Leite, do PSDB, e Kalil, do PHS, os ausentes foram 21,66%, número parecido com os de Recife e Salvador.

O elevado número de abstenções e votos nulos no maior colégio eleitoral do país reflete uma profunda decepção com a política e mostra que o país está hoje dividido em três grandes grupos: os partidos de oposição ao PT, o PT e parte da esquerda e os que, frustrados com os escândalos sem fim revelados pela Operação Lava Jato e com a incompetência dos governos em evitar a maior crise de todos os tempos da economia brasileira, desistiram do processo político. Esse grupo vem crescendo nas últimas eleições e pode ser um fator fundamental na escolha do próximo presidente, caso surja um nome que consiga atrair esses descontentes. O que representa também um risco enorme de surgimento de aventureiros com discursos fáceis de negação da política.

O cenário econômico, que exigirá maiores sacrifícios da população para ajustar as contas do país, como idade mínima para aposentadoria e cortes de benefícios ou reforma das leis trabalhistas, pode aumentar as chances de vitória desses aventureiros e os riscos para a própria democracia brasileira. Esse cenário pode não ocorrer, porém, caso as reformas deem resultado e promovam uma recuperação da economia até 2018.

Outra lição que se tira dessa eleição é o enfraquecimento dramático do PT, que perdeu espaço na maioria dos municípios do país, conquistando 256, ante 644 na eleição anterior, e especialmente nas capitais. As exceções são Recife, onde o petista João Paulo foi para o segundo turno com 23,76% dos votos, contra 49,34% de Geraldo Júlio, do PSB, e Rio Branco, onde Marcus Alexandre foi eleito com 54,87% dos votos. No ABC, reduto e origem do PT, os candidatos do partido ficaram fora do segundo turno, com exceção de Santo André, onde Carlos Grana ficou em segundo lugar, com 20,28% dos votos, atrás de Paulo Serrado, do PSDB, com 35,85%. Em São Bernardo do Campo, o candidato petista Tarcísio Secoli ficou em terceiro lugar, com 22% dos votos válidos.

João Doria

O empresário João Doria disputa nesta eleição o primeiro cargo eletivo. Tem 58 anos e é formado em jornalismo e publicidade. Foi apresentador de televisão, com programas na TV Bandeirantes, Manchete e Rede TV! Empresário, tem um grupo de marketing que promove eventos e iniciativas culturais e publicações.

Em 2003, fundou o Grupo de Líderes Empresariais (Lide), entidade com 1,7 mil empresas filiadas. Foi secretário de Turismo da capital paulista na gestão do então prefeito Mário Covas e presidente da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur) no governo do presidente José Sarney.

Em entrevista à TV Brasil em parceria com o jornal El País, o candidato do PSDB disse que uma de suas principais propostas é a contratação emergencial de hospitais particulares para oferecer exames à população. Segundo Dória, a intenção é que ação, prevista para durar um ano, reduza consideravelmente o tempo de espera por atendimento.

Com informações da Agência Brasil.

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