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Trapalhadas de Trump derrubam mercados; Ibovespa cai 0,90% e dólar sobe 1%

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As trapalhadas do presidente americano Donald Trump ao tratar de forma desastrada de um conflito entre supremacistas brancos e manifestantes, que terminou com a morte de uma mulher que participava de um protesto antinazista, provocaram reações fortes dentro do governo e levaram a uma onda de preocupação dos investidores no mundo todo.

A preocupação é com a capacidade de o governo Trump aprovar as medidas que precisa para a rolagem do orçamento federal no Congresso nos próximos meses, aprovar seus projetos de reformas e evitar ameaças de impeachment. Inicialmente, Trump apenas lamentou a violência do episódio, sem condenar os neonazistas, o que provocou reações de desaprovação de vários segmentos da sociedade civil.

A situação se agravou depois que Trump atacou os manifestantes contrários aos supremacistas brancos e afirmou que havia pessoas boas em ambos os lados. As declarações, que soaram como um velado apoio aos supremacistas, que por sua vez apoiaram Trump em sua eleição, provocaram a renúncia de vários empresários de um conselho de notáveis criado pelo próprio Trump, a ponto de o presidente decidir dissolvê-lo. Trump também lamentou a substituição de estátuas de líderes do Exército Confederado, que lutou contra a libertação dos escravos na Guerra Civil Americana, por monumentos homenageando negros.

Ao mesmo tempo, lideranças do partido de Trump, o Republicano, fizeram críticas duras ao presidente, que respondeu com seu estilo nada diplomático, aumentando a tensão com o partido. Com isso, surgiram rumores de que o ex-presidente do banco Goldman Sachs Gary Cohn, responsável pelo projeto de reforma tributária de Trump, poderia renunciar. O empresário, porém, negou a saída.

A preocupação dos investidores aumentou com o atentado em Barcelona, no qual uma van atingiu dezenas de pessoas em um dos principais pontos turísticos da cidade, Las Ramblas, matando pelo menos 13 pessoas e deixando 80 feridos, 10 em estado grave. O atentado foi assumido pelo Estado Islâmico.

Com essas confusões, as bolsas americanas tiveram fortes quedas hoje, levando junto os mercados do resto do mundo. O Índice Standad & Poor’s, o principal do mercado americano, teve sua segunda maior queda do ano, de 1,5%, enquanto o Dow Joes perdeu 1,24% e o Nasdaq, 1,94%. Os juros dos papéis de 10 anos caíram para 2,19% ao ano, ou 0,04 pontos percentuais. Na Europa, o Euro Stoxx 50 perdeu 0,65%, o Financial Times, de Londres, 0,61%, o DAX, de Frankfurt, 0,49% e o CAC, de Paris, 0,49%. Em Madri, o Ibex 35 caiu 0,95%, sob impacto do atentado. Mais cedo, o Banco Central Europeu manifestou preocupação com o superaquecimento da moeda.

Parte dos analistas considera as quedas de hoje nos EUA como realização de lucros, já que os mercados haviam subido muito neste ano. Apesar da baixa de hoje, lembra a Bloomberg, o S&P 500 está apenas 2 pontos percentuais acima de seu nível recorde, atingido dez dias atrás.

Enquanto isso, no Brasil, o dólar foi diretamente atingido pela turbulência externa e fechou em alta de 1%, aos R$ 3,179 para venda no mercado comercial. O dólar turismo, por sua vez, caiu, 1,19%, para R$ 3,31.

Com a alta do dólar, os juros projetados no mercado futuro da B3 também subiram, pelo receio de impacto na inflação. O contrato para janeiro de 2018 subiu para 8,125% ao ano, 0,015 ponto acima de ontem. Para janeiro de 2019, a taxa subiu 0,07 ponto, para 8,12%, e, para 2021, 0,15 ponto, para 9,52% ao ano.

Já o Índice Bovespa caiu 0,9%, para 67.976 pontos, perdendo o nível dos 68 mil pontos. O mercado foi influenciado pelo vencimento do mercado de opções de Índice Bovespa, que movimentou R$ 5,35 bilhões. No mercado à vista, foram R$ 7,6 bilhões.

Os estrangeiros continuam a impulsionar o mercado brasileiro. O capital externo à bolsa, com a entrada de R$ 449,13 milhões em 15 de agosto passou a contabilizar no mês saldo líquido de R$ 1,319 bilhão. Em 2017, o acumulado situa-se agora em R$ 9,3 bilhões.

As maiores altas do dia foram de Estácio Participações ON, com 3,08%, Qualicorpt ON, 2,70% e Lojas Americanas PN, 1,76%. Já as maiores quedas foram de JBS ON, 4,14%, Eletrobras PNB, 2,91% e Santander Brasil Unit, 2,92%.

Mercados sexta-feira

Para amanhã, a agenda econômica prevê no Brasil dados inflacionários como o IPC-Fipe semanal e a segunda prévia do IGP-M de agosto, assim como a confiança industrial pela CNI, destaca a BB Investimentos. A pauta fiscal e reformista segue no radar, embora o próximo capítulo seja apenas na terça-feira próxima, com a votação do parecer da MP 777, que trata da TLP, e também a votação da reforma política, que discorre em especial sobre a criação do fundo público para financiamento de campanhas, bem como a mudança do sistema eleitoral para o chamado “distritão”. Nos EUA, despontará o índice de confiança da Universidade de Michigan.

 

 

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