Ações na Arena, Ofertas públicas

Presidente da BM&FBovespa estima volta dos IPO para média de 25 por ano em 2017

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O presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, está otimista com a retomada das aberturas de capital na bolsa. Ao participar da oferta pública inicial (IPO na sigla em inglês) da Alliar Médicos à Frente, o primeiro em 16 meses, ele afirmou esperar que no próximo ano o número de ofertas volte à média do período de 2005 a 2008, de 25 por ano. “Não quero falar para este, ano quero falar para este e para os próximos dois anos”, disse. Segundo ele, haverá um choque de capitalismo no país nos próximos anos e a bolsa será a grande alavanca de financiamento de parte desse choque.

Edemir diz que “tem chance” de ocorrerem novos IPO neste ano, uma vez que há muitas operações represadas no mercado. Uma estimativa é de que cerca de 70 empresas teriam postergado seus planos de vender ações na bolsa por conta da crise, entre ofertas iniciais e secundárias. “Este ano está no fim, mas eu me arriscaria a dizer que o ano que vem será o grande ano dos IPO no mercado de capitais”, afirmou. “Em 2005 tivemos um grande ano, mas 2017 vai ser o grande ano do mercado de capitais”, afirmou.

Edemir fez uma ironia com o fato de o IPO que reabre o mercado brasileiro ser do setor de saúde. “Tinha de ser uma empresa de saúde para tirar o mercado de IPO brasileiro da UTI”, afirmou.  Segundo ele, a Alliar já deu uma demonstração de confiança com uma demanda de 2,7 vezes a oferta, e mais uma vez mostra que os investidores estrangeiros vão fazer diferença. Os investidores externos participaram com mais de 60% das compras da oferta, de R$ 766 milhões segundo Edemir.

Essa participação mostra que os estrangeiros estão de fato olhando o Brasil e essas medidas de ajuste de longo prazo que estão sendo aprovadas vão ao encontro da expectativa dos estrangeiros, de um país estabilizado e equilibrado no longo prazo. A aprovação da PEC 241, que limita o aumento dos gastos do governo, e as reformas estruturais, como a da Previdência devem dar um equilíbrio para o país extraordinário. E o país carece de poupança não só das empresas, como das pessoas físicas, por isso o país precisa do investidor estrangeiro.

E regras estáveis de médio e longo prazo são decisivas para que ele possa trazer investimento para cá. Ele dá o exemplo do mercado de ações, que neste ano já acumula um saldo de quase R$ 17 bilhões. “O melhor ano que tivemos foi uma entrada de R$ 25 bilhões e não acabamos o ano ainda”, diz, acrescentando que “temos a chance de atingir ainda mais alguns bilhões de reais este ano”.

Segundo Edemir, o que favorece o aumento dos investimentos estrangeiros é o fato de a questão fiscal estar bem encaminhada, e a questão política está sendo bem administrada pelo atual governo.

Ele lembrou que em 2000, a bolsa procurou a Natura para reabrir o mercado brasileiro de IPO e o Novo Mercado. “E a oferta da Natura foi metade do valor da Alliar”, diz.

Para Edemir, com a forte participação dos estrangeiros, o risco para o cenário de aumento de ofertas seria uma crise internacional. Ele diz que o aumento dos juros nos Estados Unidos previsto para o fim deste ano já está nos preços do mercado. O momento político no Brasil, afirma o presidente da BM&FBovespa, tem uma certa instabilidade. “Mas o que podemos ver é tudo será resolvido no médio e longo prazo”, diz. Mesmo assim, Edemir afirma que o cenário político preocupa, até porque não está totalmente resolvido. “Mas está sendo bem encaminhado, Michel Temer está fazendo uma excelente gestão no relacionamento e no equilíbrio de diversas forças, ele é um especialista nisso, então acho que está bem encaminhado”, reforça.

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