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Operação Carne Fraca prende executivos da BR Foods e da JBS por uso de carne imprópria

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Mais de mil agentes da Polícia Federal (PF) cumprem desde as primeiras horas da manhã de hoje (17) 309 mandados judiciais, sendo 27 de prisão preventiva, 11 de prisão temporária, 77 de condução coercitiva e 194 de busca e apreensão na Operação Carne Fraca, que investiga uma organização criminosa liderada por fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio. As denúncias e prisões incluem executivos das gigantes de alimentos JBS e sua subsidiária Seara e BR Foods, dona das marcas Sadia e Perdigão. As acusações incluem a compra de carne estragada para fabricação de produtos depois vendidos ao público e até exportados. Entre as denúncias, está o uso de carne de cabeça de porco para fabricação de linguiças.

As denúncias fazem as ações das duas empresas liderarem as quedas no Índice Bovespa. As ordinárias (ON, com voto) da JBS caem 6,17% e as ON da BR Foods, 6,13% às 11h15.

Segundo a PF,  servidores das superintendências regionais do Ministério da Pesca e Agricultura nos estados do Paraná, Minas Gerais e Goiás “atuavam diretamente para proteger grupos de empresários em detrimento do interesse público”. De acordo com a PF, os fiscais se utilizavam dos cargos para, mediante propinas, facilitar a produção de alimentos adulterados por meio de emissão de certificados sanitários sem que a verificação da qualidade do produto fosse feita.

O nome da operação faz referência à expressão popular  ” a carne é fraca” a fim de demostrar a fragilidade moral dos agentes públicos envolvidos nas fraudes e que “deveriam zelar e ficalizar pela qualidade dos alimentos fornecidos à sociedade”, diz a nota da PF.

Entre os presos estão o vice-presidente da BRF, José Roberto Pernomian Rodrigues, o gerente de relações institucionais e governamentais, Roney Nogueira dos Santos, e o diretor para o Centro-Oeste da empresa, André Baldissera. Na JBS, o alvo foi o executivo Flavio Cassou, da Seara.

O ministro e o fiscal

O ministro da Justiça, Osmar Serraglio, também é citado no inquérito, em uma ligação em que pede ajuda a um dos envolvidos, Daniel Gonçalves Filho, ex-superintendente regional do Ministério da Agricultura no Paraná,  para evitar o fechamento de um frigorífico em Iporã e para substituir o responsável pela fiscalização na região. Gonçalves filho e a chefe do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal, Maria do Rocio Nascimento, de Curitiba, são apontados pela PF como chefes do esquema.

O ministro pedia ajuda pois o fiscal ameaçara fechar o frigorífico Larissa, no Noroeste do Paraná, do empresário Paulo Rogério Sposito, que foi candidato a deputado federal por São Paulo. Daniel determinou a Maria do Rocio que verificasse o que estava acontecendo e ela informou que não havia nada de errado. Sposito também foi preso hoje.

Fiscal demitido deu origem à investigação

O responsável pelo início das investigações foi o fiscal agropecuário Daniel Teixeira, que foi exonerado após tentar fechar um frigorífico, o Peccin Agroindustrial, que utilizava animais mortos para produzir alimentos e pagava propinas aos fiscais e agentes de inspeção como “ajuda de custo”.

No mesmo dia em que determinou a suspensão das atividades do Peccin, Teixeira foi afastado das atividades a pedido do dono do frigorífico, Idair Antonio Peccin, segundo o inquérito. Ele foi demitido por Maria do Rocio, recém-indicada como sua superiora, no mesmo dia da demissão. O chefe de Defesa Agropecuária que autorizou a indicação e a demissão foi Charlen Henrique Saconatto e o superintendente, Gil Bueno Magalhães.

Dois anos de investigações

A Operação Carne Fraca é resultado de dois anos de investigações e foi divulgada pela PF como a maior realizada na história da corporação. Mais de 1,1 mil policiais federais cumpriram 309 mandados em sete unidades federativas: São Paulo, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás. Além das empresas que participavam do esquema, a operação tem como alvo os fiscais do Ministério da Agricultura que se beneficiaram do recebimento de propina e de vantagens pessoais para liberar a venda da carne imprópria para consumo.

Nem os corruptos aguentavam

Além do repasse de dinheiro, os agentes públicos recebiam como propina produtos alimentícios das empresas, segundo a PF. Alguns, inclusive, já estariam começando a reclamar da qualidade dos alimentos que ganhavam para fazer vista grossa na fiscalização.

O delegado Maurício Moscardi ressaltou que a responsabilidade pelos atos criminosos é compartilhada por empresários e agentes públicos. “Não havia uma relação de extorsão, mas sim de benefício e de alimentação mútua entre eles. Os empresários também incentivavam e se sentiam próximos desse esquema; eram corruptores”, afirmou.

Dentro do Ministério da Agricultura, a PF descobriu que os funcionários envolvidos promoviam remoções (transferências) de fiscais para garantir a continuidade do esquema criminoso. A investigação começou, inclusive, depois que o fiscal Daniel Teixeira se recusou a ser removido ao descobrir fraudes em uma das empresas envolvidas.

Justiça bloqueia R$ 1 bi das empresas

A Justiça Federal no Paraná (JFPR) determinou o bloqueio de R$ 1 bilhão das empresas investigadas. O delegado federal Maurício Moscardi Grillo, responsável pelo inquérito, disse ainda que parte do dinheiro pago aos agentes públicos abastecia o PMDB e o PP. A Polícia Federal não identificou, no entanto, os políticos beneficiados pelo esquema, nem a ligação entre os funcionários do Ministério da Agricultura e esses partidos. “Não foi aprofundado porque o nosso foco era a saúde pública, a corrupção e a lavagem de dinheiro”, explicou o delegado.

Com informações da Agência Brasil.

 

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