Ações na Arena, Recomendações

J.P. Morgan e Credit Suisse aumentam recomendação para ações brasileiras

Ações na Arena

Dois importantes bancos internacionais, o americano J.P. Morgan e o suíço Credit Suisse, aumentaram hoje as recomendações para ações brasileiras. O banco americano cita diretamente a possibilidade de saída da presidente Dilma Rousseff, falando em  um novo equilíbrio político que mudaria o “modus operandi” do governo para uma postura mais liberal versus a atual, intervencionista. Já o CS, sem citar o ambiente político, aumentou a recomendação para a bolsa brasileira e reduziu a da Índia.

O relatório do J.P. Morgan recomenda aumentar as compras de ações brasileiras acima da média de mercado,  definida pelo índice MSCI Emergentes, que é o referencial dos investidores externos. O banco espera que, com uma mudança política, o dólar suba menos em relação ao real, o que reduziria a pressão sobre a inflação, abrindo espaço para uma queda dos juros, favorecendo uma recuperação da economia e dos lucros das empresas. O banco acrescentou nas recomendações Cosan, Itaúsa, Ecorodovias e Rumo e removeu da carteira JBS, Kroton, Totvs e Tractebel.

O J.P. espera também um aumento das aplicações em mercados emergentes em geral diante de uma estabilidade nas moedas da região depois que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) indicou que vai subir menos os juros. O juro mais baixo nos EUA tende a manter o dólar também mais fraco, o que favorece as commodities e os países da América Latina. Além do Brasil, o banco aumentou a recomendação para Peru e manteve recomendação neutra para Chile e México.

CS: Brasil sobe, Índia cai

O Credit Suisse divulgou também hoje relatório trocando a Índia pelo Brasil em suas preferências em termos de mercado acionário, citando indicações de melhora na economia brasileira e nos resultados das empresas. O banco ignorou totalmente a questão política e um possível impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O banco está agora recomendando um aumento de 10% acima do percentual indicado no MSCI Emergentes para o Brasil, e recomendando uma aplicação 15% abaixo da indicada pelo MSCI para as ações indianas. O Brasil, por exemplo, aparece com peso de 6,4% no MSCI Emergentes, enquanto a recomendação do CS agora é de 7,1% da carteira. Já a Índia, que têm 8,2% de peso no MSCI, aparece com 7% da carteira do CS.

O banco já vinha reduzindo as aplicações na Índia desde ao ano passado e, em dezembro, reduziu a posição de 10% para 5% acima da média. No Brasil, o banco vinha recomendando uma posição 15% abaixo da média de mercado.

As ações recomendadas pelo CS são Cielo, BB Seguridade, Fibria, Suzano Papel, Hypermarcas, Sabesp, RaiaDrogasil, Lojas Renner e Porto Seguro.

Entre as observações positivas sobre o mercado brasileiro, o CS cita o retorno em dividendos (dividend yield) do mercado de ações, de 4,4%, ou 1,4 ponto percentual acima do esperado para os demais mercados emergentes.

O mercado brasileiro está também com um preço 12% abaixo dos demais países emergentes considerando a projeção de lucros das empresas para os próximos 12 meses, o mais barato desde o primeiro trimestre de 2009. Sem Petrobras e Vale, o Brasil está no mesmo nível dos demais países, também o nível mais barato desde o terceiro trimestre de 2011.

Em relação ao valor patrimonial das empresas, as ações brasileiras estão sendo negociadas por um preço que equivale a 1,1 vezes seu patrimônio, o que equivale a um desconto de 17% em relação aos demais mercados.

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