Ações na Arena, ETFs

Investidor com mais de R$ 1 milhão poderá aplicar no S&P 500 no Brasil

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Os investidores superqualificados, com no mínimo R$ 1 milhão para aplicar, têm agora a opção de investir no Índice Standard & Poor’s 500 (S&P 500), da Bolsa de Nova York, sem tirar o dinheiro do Brasil. Desde ontem, a BM&FBovespa autorizou a negociação de cotas de um Exchange Traded Fund, ou ETF, que reproduz a carteira de 500 papéis do S&P 500.

No exterior, os ETF desse índice estão entre os mais negociados do mundo, explica Ricardo Cavalheiro, da BlackRock. Segundo ele, esses fundos de S&P 500 somam US$ 50 bilhões de patrimônio somente na plataforma da BlackRock, negociando em média US$ 1 bilhão por dia. “Pelo preço mais baixo, a partir de US$ 180,00, e pela facilidade de negociação, esses fundos ajudam os investidores a montarem posições no índice, mesmo com valores menores”, explica.  Ele espera que, no Brasil, os fundos de pensão sejam os grandes usuários desses ETF.

O Ishares S&P 500 é o primeiro ETF de índice estrangeiro com cotas negociadas na bolsa brasileira e acompanhará as oscilações do referencial, inclusive as referentes à variação do dólar, como o original. Portanto, na hora de investir, é preciso levar em conta não só o risco da oscilação das ações do S&P 500, mas também a variação do dólar.

O código de negociação do ETF de S&P 500 é IVVB11. A carteira será gerida pela americana BlackRock, dona da marca Ishare e líder no mercado mundial desses fundos com cotas negociadas em bolsa.

A cota era negociada na BM&FBovespa há pouco a R$ 41,96, e o lote padrão (quantia mínima sugerida para negociação) é de 10 papéis, ou R$ 410,96.

Mas o investidor precisa primeiro provar para a corretora que é superqualificado, ou seja, tem mais de R$ 1 milhão para investir.

A administração do fundo é feita pelo Citibank e a taxa de administração cobrada é de 0,27% ao ano.

Cavalheiro explica que a BlackRock levou quase dois anos, de outubro de 2012, quando a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deu o sinal verde para a criação de ETF de índices no exterior, para montar a estrutura do novo fundo. Ele permite que um investidor crie cotas entregando os papéis que formam o S&P 500 lá fora.

Por isso, é importante o papel do formador de mercado e do administrador, dois bancos estrangeiros de grande presença no mercado de capitais, que vão facilitar essa operação. “O investidor pode mandar o dinheiro para fora, comprar os papéis e entregá-los ao fundo, que então repassa as cotas equivalentes do ETF aqui no Brasil”, explica. A situação inversa também pode acontecer, o investidor entrega cotas aqui ao fundo e pede para receber os papéis no exterior.

A expectativa de Cavalheiro é que o novo ETF seja muito usado por investidores institucionais brasileiros, como os fundos de pensão, que hoje têm dificuldades em aplicar seus recursos no exterior pelas exigências dos órgãos reguladores. “Com o ETF, eles vão poder fazer as operações em reais e sem precisar de uma conta lá fora, um banco, uma corretora internacional”, lembra. Além disso, todo o sistema de liquidação e custódia será feito em um ambiente muito conhecido e seguro, a BM&FBovespa.

Novo Ibovespa beneficia o Bova11

Segundo Cavalheiro, este ano promete ser bastante positivo para o mercado de ETF. O patrimônio do fundo referenciado no Ibovespa, o Bova11, será beneficiado pela reestruturação do cálculo do índice, que passa a valer a partir do dia 5 de maio. “O novo cálculo vai trazer mais confiança para os investidores”, diz. Além disso, o Bova11 conta agora com dois formadores para o mercado de opções, o que ajuda a aumentar as negociações. O patrimônio do Bova11 voltou a crescer, e está agora em torno de R$ 1,5 bilhão, diz o executivo.

No novo sistema de cálculo do Ibovespa, o tamanho da empresa passa a valer mais que o volume que ela negocia. Isso impedirá distorções como a que ocorreu com a OGX no ano passado, que tinha um grande peso no índice, mas valia alguns centavos e provocava grandes oscilações. O método é o mesmo usado na maioria dos principais índices de ações no exterior.

Para completar, a BlackRock aguarda a aprovação dos ETF de renda fixa, que depende apenas de mudanças nas regras de tributação. “Esperamos a publicação do tratamento tributário diferenciado para poder lançar a versão de renda fixa”, diz.

 

 

 

 

 

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