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Fachin autoriza prisão de Joesley e Saud, que negociam se entregar

STF - Supremo Tribunal Federal (Valter Campanato/Agência Brasil)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, autorizou a prisão do empresário Joesley Batista, sócio da J&F, controladora da JBS, e do ex-executivo da empresa Ricardo Saud, segundo informam os jornais. A prisão seria temporária, por cinco dias, atendendo a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Joesley e Saud estariam negociando se entregar hoje ou amanhã à Polícia Federal.

A prisão decorre da revogação do acordo de leniência aprovado pelo próprio Janot, em troca da colaboração de Joesley e de Saud e de outros executivos da JBS na delação de políticos, incluindo o presidente da República, Michel Temer. Gravações reveladas recentemente indicaram, porém, que a delação teria contado com a participação do então procurador da República Marcelo Miller, que se tornou depois advogado de escritório que atende a JBS. Não há confirmação ainda se Miller também será preso. A lei proíbe que a Procuradoria investigue o presidente da República sem autorização do Congresso, o que comprometeria as denúncias contra Temer.

Além disso, as gravações indicam que Joesley teria combinado ocultar parte do que sabia, o que também invalidaria o acordo de delação.

JBS ainda na mira

A prisão de Joesley não deve afetar a condução dos negócios da JBS, que continua sob o comando do irmão, Wesley Batista, e que não foi envolvido até agora nas denúncias das novas fitas. Mas o desgaste com as revelações podem reforçar a oposição à continuidade da família batista no comando da empresa, que já é forte por parte principalmente dos bancos federais BNDES e Caixa Econômica Federal. Ao que parece, o governo federal fará de tudo para dar o troco aos Batista pelas gravações do presidente Michel Temer e pelas denúncias que quase acabaram com seu governo.

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