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Bolsa fraca faz BlackRock fechar três fundos iShares: Imobiliário, Utilidade Pública e Consumo

Ações na Arena

O período de vacas magras do mercado brasileiro de ações fez a gigante BlackRock desistir de três de seus iShares, ou fundos de índices com cotas negociadas em bolsa (Exchange Traded Fund, ou ETF). Esses fundos são muito populares no exterior, respondendo hoje pelo maior volume de negócios das bolsas americanas, pois permitem diversificação com baixo custo, já que cada cota representa todas as ações do índice de referência. São os chamados fundos passivos, nos quais o gestor apenas compra as ações que formam o índice.

A gestora esperava repetir o sucesso aqui no Brasil, mas foi pega no contrapé pela forte queda da bolsa brasileira nos últimos anos, que afastou os investidores do mercado de ações. O fechamento desses fundos é uma má notícia para o investidor brasileiro de varejo, que perde um instrumento de diversificação interessante em renda variável em setores importantes da economia.

Neste ano, até setembro, foram negociados R$ 24,829 bilhões em ETF, praticamente o mesmo valor de 2014, de R$ 25,070 bilhões. Do total negociado, porém, R$ 22,616 bilhões, ou 91%, referem-se a um fundo apenas, o de Ibovespa, ou BOVA11. O número médio de negócios aumentou, de 105 em 2014 para 133 por dia este ano, mas o total de investidores caiu, do pico em junho de 2012 de 35.161 para 23.994.

Assembleias para fechar carteiras

A gestora convocou assembleias para encerrar os iShares Imobiliário (MOBI11), de Consumo (CSMO11) e de Utilidade Pública (UTIP11). O patrimônio desses fundos era baixo, R$ 1,792 milhão o Imobiliário, R$ 10,7 milhões o de Consumo e R$ 4,1 bilhão o de Utilidade Pública, o que explica a proposta de encerramento das carteiras, que sofreram também pelos problemas específicos das empresas de seus setores, notadamente as do setor imobiliário e do setor elétrico e de saneamento. Os volumes negociados de cotas também foram baixos, com acumulados no ano de R$ 4,6 milhões no Imobiliário, R$ 746 mil em Utilidade Pública e R$ 9,232 milhões em consumo, ou seja, R$ 14,578 milhões na soma dos três juntos.

Patrimônios baixos

Apenas como comparação, o fundo com menor patrimônio depois dos que estão sendo liquidados é o IBrX-100, que conta com R$ 20 milhões dê saldo. Em seguida vêm o iShare de Small Caps, ou pequenas empresas, com R$ 36,7 milhões, o de Carbono Eficiente, com R$ 70,4 milhões e o do índice Standard & Poor’s 500, com R$ 95 milhões. Mas o grande sucesso da BlackRock é o iShare de Ibovespa, que tem R$ 1,407 bilhão de patrimônio. Portanto, tirando o BOVA11, os outros quatro iShares restantes ainda apresentam patrimônios relativamente baixos.

Setores complicados

O desempenho desses ETF que estão sendo encerrados, que é um reflexo das ações das companhias em que aplicam e que formam os índices de referência que são calculados pela BMFBovespa, também explica o pouco interesse por eles. O Imobiliário acumula uma perda de 33,49% em um ano encerrado em 30 de setembro e de 13,10% desde sua criação, em 22 de fevereiro de 2010. O fundo reflete o comportamento do  Índice Imobiliário da BM&FBovespa, que tem entre seus ativos BR Malls, Multiplan, BR Properties, Cyrela, MRV, Iguatemi, Gafisa, Aliansce Shoppings, Even e EZ Tec. O setor sofre há anos com investimentos superdimensionados e alavancagem, além da crise do setor imobiliário, que se acentuou neste ano.

Seca e intervenção do governo

O de Utilidade Pública cai 14,56% em um ano e 9,32% desde sua criação, em 15 de maio de 2012 e tem em sua carteira muitas empresas de energia elétrica, que sofreram nos últimos anos com a intervenção do governo e a seca. Saneamento, também parte do índice, também foi duramente atingido pela seca, o que prejudicou os papéis da Sabesp. Estão no índice de Utilidade Pública Tractebel, Equatorial, Sabesp, CPFL, Cemig, Transmissão Paulista entre outras.

O fundo de Consumo até se saiu melhor, com rentabilidade de 1,49% em um ano até 30 de setembro e 12,39% desde a criação, mas não caiu nas graças do mercado. Fazem parte da carteira do fundo e do índice de mesmo nome Ambev, BR Foods, JBS, Kroton, Lojas Renner, Souza Cruz, Pão de Açúcar, Lojas Americanas, RaiaDrogasil e Hipemarcas, entre outras. As perspectivas de recessão e queda no consumo e os cortes nos incentivos ao setor educacional também prejudicaram as ações do setor.

Consultada, a BlackRock informou que continuamente revisa sua grade de produtos para garantir que eles atendem às necessidades de seus clientes. Como parte desse processo, os acionistas desses fundos vão definir em assembleias o fim ou não dessas três carteiras.

 

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