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BlackRock multiplica por quatro cotistas de seus ETFs

Ações na Arena

Neste ano, a gestora americana BlackRock viu o número de investidores em seus oito fundos com cotas negociadas em bolsa (ETFs) locais disparar, de 4 mil no fim do ano passado para mais de 17 mil. Nesse aumento, estão 10,9 mil novos investidores que participaram da oferta pública do ECOO11, montado este ano em parceria com o BNDES. Há ainda o BOVA11, fundo de Índice Bovespa, carro-chefe da gestora, que passou de 3 mil para 5,5 mil cotistas, e o ETF do índice de Small Caps (pequenas empresas), que está chegando a 900 investidores.

Somados os cotistas da BlackRock aos do concorrente Itaú, que só no pioneiro PIBB11 tem 16 mil cotistas, o total de investidores em ETFs no mercado brasileiro chegaria perto de 35 mil. O número pode ser menor, porém, pois há dupla contagem, de investidores que possuem mais de um tipo de ETF, especialmente os das ofertas públicas (PIBB11 e ECOO11).

Os ETFs são opção para o pequeno investidor com menor conhecimento de mercado, pois permitem comprar carteiras de ações diversificadas, semelhantes às dos índices com valores menores, abaixo de R$ 1 mil.

No total, a BlackRock tem US$ 45 bilhões investidos em ações no Brasil, um dos maiores valores individuais do mundo. A maior parte, porém, está no exterior, em fundos passivos, que reproduzem os índices brasileiros como o MSCI Brasil e são negociados em bolsa, os chamados ETFs.

No Brasil, o patrimônio total dos oito fundos ETFs da BlackRock está em R$ 2,3 bilhões, um aumento de cerca de R$ 1 bilhão sobre o ano passado. Além do ECOO11, ETF de Índice de Carbono Eficiente criado este ano em parceria com o BNDES que, sozinho, trouxe R$ 340 milhões de patrimônio, houve também um aumento do interesse pelo ETF de Ibovespa e de small caps, afirma o diretor da unidade brasileira Bruno Stein.

Sinais de diversificação

“O Small Caps já chegou a R$ 150 milhões de patrimônio, um valor significativo, o que indica um aumento da diversificação em ETFs locais”, avalia. Em outubro, o  ETF de Small Caps foi o segundo mais negociado, depois do de Índice Bovespa (BOVA11), que concentra 91% dos negócios. No acumulado do ano, porém, o PIBB11, atrelado ao IBrX-50, ainda é o segundo mais negociado.

Além das pessoas físicas, os ETFs estão caindo no gosto dos investidores institucionais, como fundos de pensão. Hoje, afirma Stein, já são 40 fundações que usam os fundos de índices, sendo sete dos 10 maiores do país.

Mais institucionais

Segundo o executivo da BlackRock, há um crescimento do interesse também de fundos de investimento multimercados, gestores independentes, family offices e cliente de alta renda de private banks. Os 20 maiores Regimes Próprios de Previdência, fundos de pensão de Estados e municípios, também já são investidores em ETFs. Os grandes investidores podem montar operações mais sofisticadas, como arbitragens entre as carteiras de ações e cotas do fundo, criando ou destruindo cotas do ETF, ou simplesmente montar carteiras passivas, que sigam os índices.

Uma das maiores gestores do mundo, a BlackRock é uma empresa independente, sem um controlador, que se especializou em fundos passivos e ETFs. A empresa foi criada e 1988 e abriu seu capital nos Estados Unidos em 1999. Depois, foi adquirindo outras empresas de gestão, como a State Street, a Merrill Lynch Investment Managers e, em 2009, o Barclays Global Investors, que liderava o segmento de ETFs com a marca iShares. Assim, a BlackRock assumiu o comando da operação brasileira do Barclays, tendo concluído este ano o processo de transição para a nova estrutura.

Além dos ETFs, a gestora tem no Brasil uma equipe de análise de empresas para dar suporte aos fundos ativos da casa, que são geridos no exterior.

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